El Niño causa redução histórica de até 50% na safra agrícola de Roraima
A seca provocada pelo fenômeno El Niño resultou em uma queda de 30% a 50% na safra de Roraima, afetando principalmente pequenos e grandes produtores.

A agricultura em Roraima enfrenta uma queda significativa de 30% a 50% na safra de 2026, conforme apontam os dados do setor produtivo em uma nota técnica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O fenômeno climático El Niño, resultante do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, tem gerado alterações nos padrões de chuva e temperatura, impactando diretamente as lavouras na região.
A estiagem, que começou em julho, foi crítica para o desenvolvimento das plantações, já que esse é um período vital para o crescimento e enchimento dos grãos. A previsão é que a falta de chuvas persista até março de 2027, exacerbando ainda mais os problemas enfrentados pelos agricultores locais.
Impacto nos Produtores Rurais
Os pequenos produtores rurais são os mais afetados pela seca severa, como exemplifica o agricultor Sérgio Fernandes Medeiros, que afirma ter perdas totais na sua lavoura. Ele expressa sua frustração ao dizer que “a expectativa para este ano praticamente é zero”, referindo-se ao plantio que foi considerado perdido.
Além dos pequenos, os grandes agricultores também estão enfrentando dificuldades. A Associação dos Produtores de Soja de Roraima (Aprosoja-RR) prevê que a safra de soja deste ano deve cair pela metade, resultando em um prejuízo estimado de R$ 2 bilhões. O presidente da Aprosoja-RR, Murilo Ferrari, alerta que “o produtor vai trabalhar o ano inteiro e ainda vai ficar devendo” devido às dificuldades financeiras que surgirão após a colheita.
Dados Alarmantes e Recomendações
O documento técnico da Embrapa ressalta que o El Niño de 2026 e 2027 é de forte intensidade, trazendo temperaturas elevadas e prolongados períodos de seca para a Região Norte. O nível do Rio Branco em Boa Vista, um indicador importante da estiagem, foi registrado em 63 centímetros, refletindo a severidade da situação hídrica no estado.
Com 2.035 focos de calor registrados este ano, um aumento de 36,9% em relação a 2025, a situação exige medidas urgentes para prevenir novas perdas. Especialistas recomendam a suspensão do uso do fogo para limpeza de áreas rurais e a adoção de sistemas de irrigação por gotejamento, além de cobrir o solo com palha para reter a umidade.
Fonte: Portal Amazônia