El Niño e seus impactos na agricultura brasileira em diferentes regiões
El Niño provoca variações regionais no clima que afetam culturas e produção agrícola no Brasil, com impactos distintos no Sul, Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

O fenômeno climático El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do oceano Pacífico na região equatorial, provoca alterações nos padrões de circulação das correntes marítimas e das massas de ar, afetando a distribuição de chuvas e calor no Brasil. Essas mudanças impactam diretamente a produção agrícola, setor responsável por 25% do PIB nacional.
Na safra 2023/2024, a produção de grãos no país caiu 21,4 milhões de toneladas, conforme levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), e dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os efeitos do El Niño variam conforme a região e as características locais, como solo, manejo e fase de desenvolvimento das plantas.
No Sul do Brasil, o fenômeno tende a aumentar o volume e a frequência das chuvas, o que favorece culturas como soja, milho de verão, pastagens e arroz irrigado, embora o excesso de chuva possa afetar a qualidade e a colheita. Em 2024, enchentes atingiram mais de 2 milhões de pessoas nessa região. No Norte e Nordeste, o El Niño favorece períodos de seca, afetando o milho e feijão de sequeiro, pastagens e a pecuária, especialmente na Amazônia e no interior nordestino.
Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, o El Niño costuma provocar temperaturas acima da média, ondas de calor e baixa umidade, o que pode comprometer culturas como soja, milho safrinha, cana-de-açúcar, café, citros, trigo, arroz e hortaliças. O atraso da estação chuvosa no Centro-Oeste, por exemplo, reduz a janela para o plantio do milho safrinha e ameaça a soja.
Previsões do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos indicam que o El Niño tem mais de 90% de probabilidade de atingir a categoria "muito forte" entre o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026/2027, com 75% de chance de superar a intensidade dos episódios desde 1950. Esse cenário reforça a importância do planejamento, manejo adequado do solo e uso de tecnologias para mitigar os impactos do fenômeno na agricultura brasileira.
Fonte: Portal Amazônia