El Niño traz estiagem na Amazônia e chuvas intensas no Sul do Brasil
O Inmet prevê chuvas acima da média no Sul e abaixo no Centro-Norte. A situação pode aumentar o risco de incêndios florestais e ondas de calor no segundo semestre.

SÃO PAULO – O primeiro boletim do ano sobre o fenômeno El Niño, divulgado pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), apresenta a previsão climática para o período de julho a setembro no Brasil. As expectativas incluem chuvas acima da média nas regiões do Sul e abaixo da média nas áreas do centro-norte, além de um aumento nas temperaturas em grande parte do país, que pode resultar em ondas de calor e incêndios florestais.
Conforme a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) confirmou no início de junho, o El Niño está em curso devido ao aumento da temperatura na superfície do Oceano Pacífico Equatorial. Os modelos climáticos indicam uma probabilidade superior a 90% de que esse fenômeno persista pelo menos até o início de 2027, podendo atingir uma intensidade considerada muito forte, caracterizada por anomalias de temperatura acima de 2°C.
Esse boletim foi elaborado em colaboração com instituições como o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) e o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais). Marcelo Seluchi, coordenador geral de Operações e Modelagem do Cemaden, alertou que os episódios de El Niño estão se tornando mais frequentes e intensos devido ao aquecimento dos oceanos, resultante das mudanças climáticas.
O boletim também aborda as possíveis consequências do El Niño na hidrologia, agricultura e riscos de desastres, com foco nas áreas mais vulneráveis. A ANA destacou a preocupação com a estiagem na Amazônia, já que em 2024 o fenômeno levou a uma seca histórica em importantes rios da região. No Nordeste, a situação é alarmante, com o nível do rio São Francisco abaixo do normal, o que pode agravar a seca ao longo do segundo semestre.
Enquanto isso, no Sul, o nível do rio Uruguai não apresenta anomalias significativas, mas o boletim alerta para a necessidade de monitoramento contínuo das condições climáticas, que podem mudar rapidamente. A análise do Cemaden também chamou atenção para a seca severa em 66 municípios, principalmente em Minas Gerais e Goiás, e indicou o período de julho a setembro como crítico para queimadas, especialmente no Norte e Centro-Oeste do país.
Fonte: Amazonas Atual