Empresário ligado ao PCC usou 73 empresas para lavar R$ 10 bilhões
Victor Henrique de Oliveira Shimada, sancionado pelos EUA, liderou esquema de lavagem de dinheiro com 73 empresas. Operação da PF prendeu 11 suspeitos e bloqueou bens até R$ 10 bilhões.

SÃO PAULO – Victor Henrique de Oliveira Shimada, o primeiro brasileiro a ser sancionado pelos Estados Unidos por sua ligação com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), é acusado de liderar um esquema de lavagem de R$ 10 bilhões. De acordo com a Polícia Federal, ele utilizou um vasto conjunto de 73 empresas de fachada para ocultar e movimentar enormes somas de dinheiro provenientes do tráfico de drogas, em especial do haxixe.
Shimada é o principal alvo da Operação Exchange, que ocorreu na sexta-feira, dia 3, resultando na prisão de 11 suspeitos e na execução de 13 mandados de busca e apreensão relacionados ao núcleo financeiro do PCC. A defesa de Shimada foi contatada, mas até o momento não houve retorno. O espaço permanece aberto para qualquer manifestação.
No dia 1º de novembro, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra Shimada, sua secretária Stella Stefanie Nunes, e três empresas no Brasil, além de uma em Portugal. As sanções foram atribuídas a uma suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao PCC, que, segundo o governo americano, movimentou mais de US$ 30 milhões oriundos do tráfico internacional de drogas.
A investigação da Polícia Federal revela que os agentes estavam monitorando os suspeitos há várias semanas, e já haviam solicitado à Justiça a prisão de Shimada e outros investigados antes das sanções americanas. A divulgação dessas sanções, segundo os investigadores, pode ter comprometido o trabalho de campo e apressado a operação.
As 73 empresas utilizadas por Shimada foram bloqueadas por ordem do juiz Paulo Cezar Duran, da 7ª Vara Federal Criminal em São Paulo, que também determinou o bloqueio e sequestro de bens e valores até o limite de R$ 10.386.527.419,19, abrangendo todos os investigados e as pessoas jurídicas implicadas. Durante as investigações, a PF identificou que empresas como Victory Trading Intermediação de Negócios e Hi Quality Importação Comércio eram utilizadas por Shimada para movimentar recursos do PCC, revelando movimentações financeiras incompatíveis com sua declaração de renda.
Fonte: Amazonas Atual