Entenda a Doença Falciforme: Sintomas e Impactos na Saúde
A Doença Falciforme é uma condição genética que vai além da anemia, afetando até 100 mil brasileiros. Especialistas esclarecem seus sintomas e a importância do diagnóstico precoce.

A Doença Falciforme é uma condição genética que se apresenta de forma mais complexa do que a simples anemia, que é como muitos a conhecem. Em entrevista à Agência Brasil, a hematologista Marimília Pita destacou que essa doença não afeta apenas a produção de glóbulos vermelhos, mas todos os órgãos do corpo humano. Estima-se que cerca de 100 mil brasileiros vivam com essa condição, conforme dados do Ministério da Saúde.
Além de ser uma doença hereditária, transmitida de pais para filhos, a doença falciforme provoca sintomas que vão além da anemia. A médica enfatiza que a alteração nas hemácias, que adquirem um formato semelhante a uma foice, compromete a circulação sanguínea, resultando em microinfartos em diversas partes do corpo. Esses problemas podem levar a complicações significativas ao longo da vida, como cardiopatias e pneumopatias.
O Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme é comemorado em 19 de junho, uma data estabelecida pela ONU para aumentar a visibilidade sobre essa condição. O diagnóstico precoce é fundamental e, há 25 anos, o Teste do Pezinho já inclui a detecção da doença, permitindo que os recém-nascidos sejam acompanhados desde o início da vida, o que pode prevenir infecções graves, frequentemente fatais antes dos 7 anos.
Embora não exista cura para a doença, tratamentos médicos podem ajudar a controlar os sintomas. A hematologista Marimília também alerta para a frequente ocorrência de crises de dor intensa, que são causadas pela obstrução de vasos sanguíneos. Muitas vezes, esses episódios de dor são tão severos que os pacientes precisam ser internados. Ela ressalta que, no Brasil, apenas 34% dos pacientes recebem morfina durante essas crises, em comparação com 98% nos Estados Unidos e 99% no Canadá.
Outro desafio enfrentado por pacientes com a Doença Falciforme é o preconceito racial, uma vez que a doença é mais comum entre a população negra devido à sua origem genética. A médica observa que a condição está ligada a questões socioeconômicas e destaca que a doença não é exclusiva da população negra, mas sim uma questão de saúde global. Exemplos de pacientes, como Nilceia Alves e Lucas Henrique, mostram a realidade enfrentada por quem vive com essa condição, incluindo a luta por tratamento e a superação de dificuldades.
Fonte: D24AM