Escassez de chuvas na Amazônia dificulta recuperação dos rios até início de 2026
A falta de chuvas na Amazônia deve continuar até o início de 2024, complicando a recuperação dos rios e impactando a vida ribeirinha.

A escassez de chuvas na região amazônica deve continuar até o início do próximo ano, dificultando a recuperação do nível dos rios. O quadro atual sugere que a vazante pode atingir proporções históricas, impactando diretamente a logística regional e a vida das comunidades ribeirinhas e indígenas.
As informações foram divulgadas nesta terça-feira (1º), em Manaus, pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), que usou cenários para estimar as cotas dos rios da região. O pesquisador da instituição André Martinelli explicou que o alerta de vazante 2026 se baseou em cenários considerando anos com grande interferência do El Niño, principalmente 2015, o último grande El Niño, e o evento de 2023/2024, que foi um El Niño forte e trouxe as menores cotas registradas para a maioria das estações de monitoramento na bacia amazônica.
Segundo as estimativas, se o El Niño for mais parecido com o de 2015, a capital amazonense enfrentará uma cota de 12,92 metros; se for mais como 2024, ficará em 16,32 metros. André Martinelli destacou que esses são níveis baixos para Manaus, que já trariam prejuízos na logística e no polo industrial.
Ele acrescentou que, quando o nível do rio fica abaixo de 14 metros, a região pode vivenciar um nível mais extremo, semelhante ao observado em 2023 e 2024, com impactos significativos. Esse cenário imitando as descidas de 2015 ficaria mais próximo de um cenário extremo.
Para montar os cenários, o SGB considerou três estações de referência: Tabatinga, localizada na parte mais alta do tronco principal da bacia do Rio Solimões; Manaus, capital do estado, onde o período de seca traz as maiores consequências econômicas e socioambientais; e Itacoatiara, ponto importante para a logística do estado. Os dados têm o objetivo de orientar gestores públicos e defesas civis estaduais e municipais em ações para reduzir os impactos socioeconômicos e ambientais da estiagem na região amazônica.
Fonte: D24AM