Escolas Rurais no Norte Enfrentam Crise de Água e Banheiros
Estudo revela que a falta de água potável e banheiros afeta escolas rurais na Região Norte, especialmente em terras indígenas.

A exclusão sanitária continua sendo uma realidade desafiadora para muitas escolas rurais no Brasil, com um foco especial na Região Norte e em terras indígenas. A ausência de infraestrutura básica, como água potável e banheiros, tem um impacto significativo na vida dos estudantes.
Um estudo recente publicado na revista científica Cadernos de Saúde Pública, realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), revela que as escolas públicas rurais de menor porte, com até 10 alunos, e aquelas situadas em terras indígenas são as mais afetadas pela falta de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Os dados analisados pelos pesquisadores, que abrangem o período de 2011 a 2023, provêm do Censo Escolar da Educação Básica, coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O estudo mostra que a situação é particularmente grave para as meninas, que frequentemente faltam às aulas e acabam abandonando a escola devido à falta de condições para a higiene menstrual.
Desde 2011, mais de 22 mil escolas rurais de ensino fundamental foram encerradas, reduzindo o número de unidades ativas de mais de 56 mil para pouco mais de 34 mil. Lívia Pita Corrêa, principal autora do estudo, destaca que o fechamento dessas escolas não resolve o problema de infraestrutura, mas sim o esconde nas estatísticas.
O estudo também indica que, em 2023, 27,5% das escolas na Região Norte careciam de banheiros, com o estado do Pará se destacando negativamente. A distância das cidades e o difícil acesso ao transporte contribuem para a precariedade na instalação de redes de água e esgoto. As escolas em terras indígenas enfrentam uma realidade ainda mais severa, refletindo um histórico de exclusão no acesso a serviços essenciais, comprometendo a saúde e a permanência dos estudantes na escola.
Fonte: Portal Amazônia