Espetáculo Casa D’Água traz à cena a enchente de 1953 na Amazônia
O teatro Casa D’Água revisita a histórica enchente de 1953, abordando temas como memória e transformação social na Amazônia.

A Associação dos Artistas Cênicos do Amazonas, conhecida como Arte&Fato, em colaboração com a Fundação Nacional de Artes (Funarte) e o Ministério da Cultura, apresenta o espetáculo teatral Casa D’Água. Com dramaturgia e direção de Douglas Rodrigues, junto a Leonel Worton, a peça traz à tona a grande enchente de 1953, um evento significativo na história da Amazônia, explorando questões de memória, deslocamento humano e os impactos sociais do ciclo da borracha.
A circulação do espetáculo inicia em São Paulo, com apresentações programadas para o dia 25 de setembro, no Teatro Elis Regina, localizado em São Bernardo do Campo, e no dia 26 de setembro, no Centro Cultural São Paulo (CCSP), na capital paulista.
A narrativa de Casa D’Água se fundamenta em eventos históricos que precedem a enchente de 1953. Em 1943, a severa seca que atingiu o Nordeste do Brasil levou ao alistamento de muitos nordestinos, que se tornaram “soldados da borracha” na busca por sobrevivência durante a crise. Mais de 100 mil homens foram mobilizados para a Amazônia para trabalhar na extração do látex, mas a situação se transformou após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, quando a demanda pela borracha amazônica diminuiu.
Com a chegada da borracha sintética, muitos trabalhadores que haviam se deslocado para a Amazônia ficaram sem perspectivas, sem a promessa de retorno às suas famílias cumprida. Em 1953, as águas começaram a avançar, ocupando o centro da narrativa do espetáculo, onde uma casa flutua em meio à enchente do Rio Amazonas, abrigando uma mãe, uma filha e um homem lutando contra a força das águas e as dificuldades de um lar precário.
Entre elementos que mesclam depoimentos e relatos de ribeirinhos, a obra Casa D’Água constrói um drama que reflete a realidade amazônica e também dialoga com a literatura brasileira sobre a região. A peça é uma expressão das experiências e memórias locais, e a água é apresentada sob diversas perspectivas: como uma fonte de vida, uma ameaça e um símbolo do que permanece enquanto outros aspectos da vida se desvanecem. A montagem faz parte do projeto Ações Continuadas 2025 – Teatro, da Funarte, e contribui para a valorização do teatro produzido na região Norte.
Fonte: D24AM