Estudo do Unicef revela que G20 mantém maioridade penal aos 18 anos
Pesquisa do Unicef mostra que todos os 19 países do G20 têm maioridade penal aos 18 anos, com exceções no Brasil, onde adolescentes respondem a infrações a partir dos 12 anos.

RIO DE JANEIRO – Um estudo realizado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) revela que os 19 países que compõem o G20, as maiores economias do mundo, têm a maioridade penal fixada em 18 anos. Segundo a pesquisa, nenhum desses países pune adolescentes como adultos, sendo que no Brasil, a situação é diferente, pois adolescentes podem ser responsabilizados na Justiça por atos infracionais a partir dos 12 anos.
O levantamento, conduzido entre agosto e setembro de 2026, faz uma distinção importante entre a maioridade penal, que determina quando uma pessoa é considerada adulta em termos judiciais, e a idade de responsabilização penal, que é quando adolescentes podem responder judicialmente em um sistema que leva em conta suas particularidades. No Brasil, esses limites são de 18 anos para a maioridade e 12 anos para a responsabilização.
Em comparação com outros países analisados, a idade de responsabilização penal varia. Por exemplo, na Alemanha, no Japão, na Argentina, na Itália e na França, essa idade inicia-se aos 14 anos. Já na China, esse parâmetro é fixado em 16 anos, enquanto na Arábia Saudita e na Índia, a idade é surpreendentemente baixa, de apenas 7 anos. Apesar das variações, todos os 19 países mantêm sistemas de Justiça distintos para adultos e adolescentes.
O estudo também aponta que sete países do G20 têm exceções que permitem que adolescentes sejam encaminhados ao sistema penal para adultos. Contudo, a regra geral é que os jovens sejam julgados em estruturas apropriadas para suas idades. Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil, afirma: “Os países mais ricos do mundo concordam que é possível responsabilizar um adolescente sem tratá-lo como adulto, e que isso é fundamental para a sua recuperação e reintegração social.”
Adicionalmente, o Unicef analisou a legislação de 20 países da América Latina e constatou que 19 mantêm a maioridade penal aos 18 anos, com o Haiti sendo a única exceção, estabelecendo o limite em 16 anos. No Brasil, a idade de 12 anos para responsabilização juvenil é uma das mais baixas na região, ao lado de países como Costa Rica e El Salvador. Mudanças recentes na legislação de alguns estados dos EUA também foram observadas, onde adolescentes de 16 e 17 anos passaram a ser julgados no sistema de Justiça juvenil, em resposta à ineficácia de tratar jovens como adultos para reduzir a criminalidade.
Fonte: Amazonas Atual