Estudo revela a importância do porta-enxerto na produção de látex de seringueiras
Pesquisadores da Unicamp e do IAC descobriram que o porta-enxerto influencia diretamente a produtividade das seringueiras clonadas, podendo aumentar a produção em até 75%.

Um estudo realizado por grupos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto Agronômico (IAC) revelou que o porta-enxerto, que é a planta que suporta o clone enxertado da seringueira, tem um papel crucial na fisiologia da planta. A pesquisa, publicada no periódico The Plant Genome, demonstra que a combinação correta entre clone e porta-enxerto pode elevar a produtividade em até 75%.
A borracha natural das seringueiras continua a ser uma matéria-prima essencial, mesmo com a ascensão da borracha sintética. Essa borracha é fundamental para a fabricação de pneus de aeronaves e equipamentos médicos, devido à sua flexibilidade e resistência. Além disso, as plantações de seringueiras ajudam na captura de dióxido de carbono (CO2), contribuindo para o meio ambiente.
Apesar do Brasil ter sido um dos maiores produtores de borracha natural, atualmente ocupa menos de 2% do mercado global, sendo superado por países como Tailândia, Indonésia e Vietnã. O foco da produção se deslocou da Amazônia para o Estado de São Paulo, onde muitos produtores utilizam terras para cultivo de seringueiras como uma estratégia de reserva para o futuro.
Os pesquisadores descobriram que, ao plantar o melhor clone em um porta-enxerto inadequado, a produção de látex pode cair drasticamente. Em sua pesquisa, liderada por Anete Pereira de Souza, os cientistas identificaram que a interação entre o enxerto e o porta-enxerto é determinante, com a combinação ideal resultando em uma produtividade média de 76,03 g de borracha seca, enquanto combinações menos eficazes apresentaram resultados de apenas 43,29 g.
Este estudo não apenas traz avanços científicos, mas também uma aplicação prática significativa. O IAC está desenvolvendo uma cartilha para orientar produtores sobre as melhores combinações entre clones e porta-enxertos. Os autores do estudo sugerem a implementação de políticas que exijam a identificação do porta-enxerto na venda de mudas, visando aumentar a produtividade e a competitividade da seringueira.
Fonte: Portal Amazônia