Estudo revela conectividade de onças-pintadas em 11 países da América do Sul
Uma pesquisa inédita identificou uma vasta rede de conectividade para onças-pintadas em 11 países. O estudo destaca áreas críticas ameaçadas pelo desmatamento.

Uma nova pesquisa revelou a conectividade das populações de onças-pintadas em sua área de ocorrência, que vai da fronteira entre os EUA e o México até o norte da Argentina. O estudo utilizou dados de monitoramento por GPS de 172 onças-pintadas, resultando em mapas que mostram a interconexão entre as populações da espécie na América do Sul.
Os pesquisadores identificaram uma área de aproximadamente 6,5 milhões de quilômetros quadrados, que serve como uma "espinha dorsal" essencial para a conservação do maior felino das Américas. Essa região permite que diferentes populações se movimentem, reproduzam e mantenham a diversidade genética necessária para a sobrevivência a longo prazo.
Conduzido pelo brasileiro Guilherme Costa Alvarenga, o estudo envolveu a colaboração de 39 pesquisadores de diversas instituições ao redor do mundo. Publicado na revista Global Change Biology, este trabalho representa a compilação mais abrangente sobre a movimentação das onças-pintadas até hoje.
No entanto, a pesquisa também destacou que essa conectividade não é contínua. Barreiras como estradas, áreas urbanas e desmatamento fragmentam o habitat da onça, isolando algumas populações e diminuindo o fluxo gênico, que é vital para a saúde genética das espécies.
A análise revelou 307 áreas consideradas centrais para a movimentação das onças, abrangendo cerca de 7,75 milhões de quilômetros quadrados, com quase metade dentro de áreas protegidas. O estudo propõe ações de conservação direcionadas, incluindo a restauração de corredores de deslocamento e a proteção de habitats, a fim de garantir a continuidade da espécie.
Fonte: Portal Amazônia