Estudo revela desafios enfrentados por mulheres trans no sistema prisional do Pará
Uma pesquisa aponta a necessidade urgente de acolhimento e direitos para mulheres trans no sistema prisional do Pará, revelando violações e precariedades.

A discussão sobre a existência de alas carcerárias voltadas para a população LGBTQIAPN+, especialmente as mulheres trans, no estado do Pará, é marcada por complexidades. O estudo intitulado Saúde mental de mulheres trans em situação carcerária no estado do Pará destaca a urgente necessidade de acolhimento e promoção do bem-estar para essa população no sistema prisional.
Realizado pelos psicólogos Alessandro Carneiro da Silva e Eric Campos Alvarenga, a pesquisa revela a precariedade no atendimento a pessoas trans dentro do sistema carcerário. Com uma abordagem qualitativa e descritiva, os pesquisadores realizaram entrevistas semiestruturadas com duas mulheres trans que já cumpriram pena no estado, enfrentando o desafio de lidar com medos e traumas pessoais durante o processo de coleta de dados.
Os resultados da pesquisa são alarmantes, indicando que as mulheres trans frequentemente não recebem a atenção e os cuidados necessários pelos agentes do sistema prisional. Um dos aspectos mais preocupantes encontrados foi a violação constante de direitos fundamentais, como o uso do nome social e a continuidade de tratamentos hormonais, que são garantidos legalmente, mas frequentemente negados por agentes do Estado.
A pesquisa também aborda a imposição do binarismo sexual dentro do ambiente carcerário. Uma das entrevistadas relatou ter que se descaracterizar para não causar estranhamento entre os visitantes de outros detentos, uma situação que a obrigou a se apresentar como homem, evidenciando o sofrimento e a exclusão que muitas mulheres trans enfrentam nessas circunstâncias.
Apesar do cenário desolador, o autor Alessandro Carneiro enfatiza a importância de estabelecer redes de apoio e humanizar o tratamento de pessoas trans no sistema prisional. A formação de profissionais capacitados para lidar com questões de identidade de gênero e sexualidade é essencial para combater a violência e promover uma abordagem mais respeitosa e digna. Em suas palavras, o estado deve garantir saúde mental a partir de um tratamento humanizado, reconhecendo e respeitando os direitos básicos das mulheres trans.
Fonte: Portal Amazônia