Estudo revela devastação alarmante na Amazônia-Cerrado com IA
Uma pesquisa da Unemat, em parceria com instituições internacionais, mapeou 35 anos de desmatamento na Zona de Transição Cerrado-Amazônia. Dados apontam para uma degradação significativa na região.

Uma pesquisa científica realizada pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) em colaboração com a Universidade de Manchester, no Reino Unido, e a organização CTrees, dos Estados Unidos, trouxe à tona dados preocupantes sobre o desmatamento na Zona de Transição Cerrado-Amazônia. Publicado na revista Biological Conservation, o estudo revela a dinâmica de distúrbios na vegetação ao longo de 35 anos, de 1986 a 2020.
Para obter um mapeamento detalhado de mais de 1,1 milhão de km², a pesquisa utilizou tecnologia avançada, combinando dados de satélite Landsat com o algoritmo LandTrendr e a arquitetura de aprendizagem profunda 1D ResNet. Essa abordagem inovadora permitiu diferenciar os impactos do desmatamento e dos incêndios, algo que é crucial para entender a gravidade da degradação na região.
Os resultados são alarmantes: pelo menos 493.050 km² da Zona de Transição sofreram distúrbios nas últimas três décadas, uma área maior do que a da Espanha. O desmatamento na Floresta Amazônica foi responsável por 35% dessa degradação, impulsionado principalmente pela expansão da pecuária e da agricultura, enquanto o Cerrado contribuiu com 20% do total, afetando municípios de alta atividade agrícola em Mato Grosso.
Além de evidenciar a extensão do dano, o estudo também constatou uma significativa perda de resiliência dos ecossistemas. Mesmo uma década após incêndios, a Floresta Amazônica apenas recuperou 80% dos níveis espectrais anteriores aos distúrbios, enquanto o Cerrado alcançou apenas 60% de sua condição original.
Os professores da Unemat, Beatriz Schwantes Marimon e Ben Hur Marimon Junior, ressaltam a importância do monitoramento contínuo na região. Eles afirmam que este estudo confere uma dimensão regional à realidade observada em campo, alertando que a Zona de Transição é um dos ecossistemas mais vulneráveis do planeta, cuja proteção ainda é insuficiente. A fragilidade da região é agravada por uma governança ambiental ineficaz, com apenas 2% da Zona de Transição protegida, em contraste com 28% da Amazônia. O estudo também sugere que a metodologia utilizada pode ser aplicada em outras áreas tropicais críticas ao redor do mundo.
Fonte: Portal Amazônia