Estudo revela falta de aulas sobre educação antirracista nas escolas
Pesquisa aponta que quase 50% dos alunos não reconhecem discussões sobre desigualdade racial nas aulas, mesmo com leis que garantem o tema no currículo.

BRASÍLIA – O tema "A herança da cultura negra na formação do Brasil" foi solicitado a uma estudante de 15 anos em uma escola de Brasília, mas sua mãe, a advogada Karina Berardo, destaca que essa abordagem ainda é uma raridade nas aulas. Ela observa que, enquanto houve uma ampliação do debate sobre a cultura negra no ensino médio, as discussões sobre raça no ensino fundamental costumam se restringir à escravidão.
Karina acredita que a proposta de tratar a contribuição do negro à sociedade é um avanço, embora ainda a considere um pouco caricatural. Essa percepção de que a educação antirracista é raramente abordada nas escolas é corroborada por um estudo inédito divulgado em 26 de setembro, que analisa a visão dos estudantes sobre a temática racial nas aulas.
O levantamento, realizado em parceria entre o Cebrap e os institutos Alana e Geledés, revela que **aproximadamente 50% dos alunos do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio** no Brasil afirmam não reconhecer o debate sobre desigualdades raciais em sala de aula. Isso ocorre mesmo com as leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que obrigam as escolas a ensinar sobre a história e cultura africana, afro-brasileira e indígena.
A socióloga Flávia Rios, professora da Universidade de São Paulo e pesquisadora do Cebrap, comenta que, embora a legislação antirracista tenha sido estabelecida, sua implementação é irregular e dependente de iniciativas específicas das secretarias de educação. Ela destaca que, ao longo dos últimos 20 anos, houve esforços para formar gestores e docentes, além de mudanças curriculares, mas a aplicação da legislação ainda não é universalizada.
Flávia também aponta a necessidade de ampliação das legislações para garantir consistência no ensino. Os dados do estudo mostram que enquanto 81,6% dos professores do 9º ano afirmam abordar desigualdades raciais, apenas 46,6% dos alunos reconhecem essa discussão em sala. A pesquisa conclui que é essencial um monitoramento contínuo das políticas públicas educacionais e um diálogo efetivo entre escola e família para combater o racismo.
Fonte: Amazonas Atual