Estudo revela que adolescentes preferem smartphones a livros
Pesquisa da OCDE mostra que adolescentes têm desempenho em leitura inferior ao esperado, com uso excessivo de dispositivos digitais.

Um estudo recente realizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) revelou que os adolescentes estão mais habituados a usar smartphones do que a ler obras clássicas como as de Shakespeare. Essa mudança de hábitos está refletindo em um preocupante declínio nos índices de leitura entre os jovens, que alcançaram os piores níveis deste século.
No teste de 2025, que avaliou 760 mil estudantes de 15 anos em 91 países, as notas em leitura, matemática e ciências apresentaram uma queda significativa. Conforme os dados coletados desde o ano 2000, a pontuação média em leitura dos adolescentes caiu de 501, registrada em 2012, para 466 em 2022, evidenciando uma regressão no aprendizado.
O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, destacou que o aumento do tempo gasto em frente às telas está diretamente ligado à diminuição do prazer pela leitura. “Estamos vendo uma leitura mais apressada, onde os alunos percorrem textos rapidamente e, consequentemente, fornecem respostas erradas”, comentou Cormann em coletiva de imprensa.
Além da queda nas habilidades de leitura, o estudo também apontou que as competências em ciências e matemática dos adolescentes estão em níveis alarmantes. A pontuação em ciências, que havia atingido 506 em 2009, caiu para 486, enquanto em matemática a queda foi de 502 para 469, refletindo um padrão geral de aprendizado em declínio.
Embora o relatório não recomende a proibição de smartphones nas escolas, ele relaciona a distração digital a notas mais baixas em ciências em 59 dos 82 sistemas educacionais analisados. Os alunos relataram gastar, em média, 3,4 horas por dia em dispositivos digitais para lazer, além de mais três horas em atividades de aprendizagem. O uso excessivo de tecnologia pode ser benéfico até certo ponto, mas, após cinco horas diárias, os resultados começam a cair, alertou Cormann.
Fonte: Amazonas Atual