Estudo revela que civilização amazônica atingiu 3 milhões de habitantes
Uma pesquisa recente indica que uma civilização no sudoeste da Amazônia pode ter chegado a 3 milhões de habitantes há 1,8 mil anos. O estudo foi publicado na revista Nature.

Um novo estudo aponta que o sudoeste da Floresta Amazônica abrigou uma civilização com uma população que pode ter chegado a até 3 milhões de pessoas, durante seu auge, há cerca de 1,8 mil anos. Esta descoberta foi feita por pesquisadores das Universidades Federais do Acre e do Pará, em parceria com instituições de Brasília e universidades da Finlândia, e publicada na revista Nature.
A civilização, chamada de Aquiry, é estimada para ter uma população entre 1,2 milhão e 3 milhões de indivíduos. O nome Aquiry, que vem da língua indígena Apurinã, significa 'rio dos jacarés' e também é a origem do nome do Estado do Acre.
Os pesquisadores utilizaram a técnica de detecção aérea de luz e laser para mapear mais de 20 mil estruturas de terra pré-coloniais, conhecidas como geoglifos. Esses geoglifos, que possuem formatos geométricos, foram encontrados em uma área que é maior que o território do Uruguai e em regiões que hoje correspondem a Rondônia, sul do Amazonas e parte da Bolívia.
As estruturas encontradas incluem valas em formatos de círculos e quadrados, algumas delas com até 50 hectares de área, 5 metros de profundidade e 13 metros de largura. Para construir essas estruturas, foi necessário um grande esforço de trabalho e conhecimentos avançados em matemática e geometria. Além disso, algumas dessas formações estavam interligadas por estradas, formando agrupamentos que podem ter funcionado como centros políticos e rituais.
Esses centros da civilização Aquiry existiram por aproximadamente 1,5 mil anos, o que sugere a possibilidade de sociedades organizadas e administrativamente estáveis em uma área que, por muitos anos, foi considerada intocada. As evidências arqueológicas mostram que esses povos cultivavam uma variedade de alimentos, incluindo milho, abóbora, mandioca, batata-doce, feijão, amendoim e até mesmo castanhas e palmeiras.
Fonte: D24AM