Ex-presidente do INSS usava código para pagamento de propina, revela PF
Alessandro Antonio Stefanutto, ex-presidente do INSS, foi indiciado por corrupção e usava códigos para ocultar propinas, incluindo pagamentos a uma pizzaria.

O ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Antônio Stefanutto, está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e por sua participação em uma organização criminosa. Segundo as investigações, Stefanutto utilizava o código "forno" para se referir a manobras financeiras que envolviam o repasse de propinas através de empresas de fachada, incluindo uma pizzaria.
A defesa do ex-presidente do INSS afirmou que ainda não teve acesso ao relatório de indiciamento e que está à disposição para se manifestar. Stefanutto, que era apelidado de "italiano" pelos envolvidos na Operação Sem Desconto, usava esse código para sinalizar que era o momento de "esquentar" o dinheiro obtido pelo esquema criminoso, permitindo que cheques fossem compensados sem levantar suspeitas.
Em uma conversa datada de 4 de outubro de 2022, Stefanutto solicitou a Cícero Marcelino de Souza Santos, um dos principais operadores financeiros do esquema, que o informasse quando poderia usar o "forno". A PF destaca que a proximidade entre os dois reforça os indícios de recebimento de propina e lavagem de dinheiro, uma vez que Stefanutto se refere a Cícero como "grande amigo".
A investigação revelou que o ex-presidente do INSS recorria a terceiros para esconder o recebimento de vantagens indevidas, que, após sua posse, teriam alcançado R$ 250 mil por mês. Em uma troca de mensagens em 10 de outubro de 2022, Cícero pediu a Stefanutto o nome da empresa do "forno" para organizar os pagamentos, ao que Stefanutto respondeu mencionando a To Hire Car Locadora, uma das empresas de fachada.
O relatório da PF também revela que, em 7 de novembro de 2022, Cícero avisou que já poderia "colocar no forno" os cheques, ao que Stefanutto confirmou usando a expressão "reaquecer a pizza", referindo-se à compensação de dois cheques de R$ 250 mil. A PF considera Stefanutto uma peça central na organização criminosa, que utilizou seus cargos para favorecer interesses da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), recebendo pagamentos de propina que eram ocultados através de empresas de fachada.
Fonte: Amazonas Atual