Expedição no Peru revela fósseis raros e avança na pesquisa da Amazônia
Paleontólogo destaca expedição em Loreto como uma das mais importantes para a ciência. Fósseis raros foram coletados ao longo do Rio Amazonas e estão prontos para estudo.

O paleontólogo peruano Rodolfo Salas-Gismondi declarou que a recente expedição na região de Loreto, no Peru, é uma das mais impressionantes para a ciência na Amazônia. Durante a missão, foram coletados aproximadamente 180 quilos de fósseis, incluindo restos de peixes-boi e do Gnatusuchus pebasensis, um jacaré emblemático do sistema Pebas, além de outros animais ainda não identificados.
A equipe, que passou 10 dias em campo, fez uma descoberta significativa ao encontrar um crânio completo de Gnatusuchus pebasensis, que permitirá uma análise mais aprofundada da evolução dos jacarés na região. Salas-Gismondi ressaltou que este é o segundo crânio desse tipo já encontrado no mundo e está em condições excepcionais, o que é vital para o entendimento da evolução inicial desses répteis.
O nome Gnatusuchus se refere a um caimão de nariz arrebitado, caracterizado por um focinho curto. Os pesquisadores acreditam que esse jacaré se alimentava de moluscos, que eram abundantes na região, possuindo adaptações que o tornavam apto a capturá-los. Salas-Gismondi mencionou que as evidências encontradas, como bivalves, indicam que o Gnatusuchus utilizava sua mandíbula em forma de pá para escavar o fundo lamacento em busca de alimento.
A expedição também resultou na coleta de fósseis de diversas outras espécies, incluindo crânios de peixes, preguiças e até mesmo uma mandíbula de golfinho. O material coletado, que já chegou a Lima, está sendo preparado para estudos adicionais, com a expectativa de que novas descobertas científicas sejam reveladas. A pesquisa é parte do projeto “O registro fóssil de Loreto: Arquivos sobre a origem da biodiversidade amazônica”, financiado pelo Programa Nacional de Pesquisa Científica e Estudos Avançados.
Salas-Gismondi destacou que as novas evidências podem oferecer insights sobre a evolução de grupos de animais que habitam a Amazônia. A partir dos fósseis, será possível investigar as mudanças climáticas que impactaram a biodiversidade local ao longo de milhões de anos. Essas descobertas são essenciais para compreender como o ecossistema da Amazônia evoluiu e se adaptou às transformações ambientais ao longo do tempo.
Fonte: Portal Amazônia