Facções no Amazonas se fortalecem e dominam rotas fluviais, alertam especialistas
Relatório do Ministério da Justiça revela que, apesar de avanços nas apreensões, facções como CV e PCC mantêm controle sobre rios e expandem influência na floresta.

Um levantamento oficial do Ministério da Justiça evidencia o progresso nas apreensões de drogas e investimentos no Amazonas, mas especialistas alertam que a extensão territorial, a escassez de efetivo e a corrupção ainda garantem a força de facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) nas rotas fluviais da região.
Entre 2024 e 2026, uma série de operações integradas entre Forças de Segurança Estaduais e Federais resultou na prisão de 1.902 pessoas e causou um prejuízo de aproximadamente R$ 263,48 milhões ao crime organizado no estado. Contudo, mesmo com esses esforços, as facções seguem dominando várias calhas de rios e ampliando sua influência territorial.
O relatório, elaborado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) através da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi), destaca que, no mesmo período, o Governo Federal investiu R$ 265 milhões em iniciativas para modernizar a infraestrutura e apoiar ações de combate ao narcotráfico. O objetivo é bloquear os corredores logísticos que facilitam o tráfico na Amazônia.
Entre os resultados das operações, foi registrado o repasse de R$ 1,21 milhão em materiais estruturantes, incluindo sete drones, viaturas operacionais, munições e softwares de extração de dados, além da capacitação de mais de 90 agentes de segurança no estado. Recentemente, duas operações significativas foram realizadas, uma em maio, com a apreensão de mais de 15 toneladas de drogas, e outra em julho, com a apreensão de 2,5 toneladas de cocaína e um fuzil em Codajás.
Apesar dos investimentos e das prisões, analistas de segurança afirmam que o crime organizado consegue absorver esses prejuízos como parte de seus custos operacionais. O cientista político Joel Paviotti destaca que as facções prosperam em áreas onde a presença do Estado é limitada, e a falta de integração entre as forças policiais e as Forças Armadas é um obstáculo significativo no combate ao tráfico. Ele ressalta que as vastas rotas de tráfico dificultam a contenção do narcotráfico, especialmente no trajeto que vai do Rio Solimões até grandes centros e o exterior.
Fonte: Portal Amazônia