Falta de transporte escolar afasta alunos de suas aulas na Amazônia
Na comunidade Monte Cristo, alunos sofrem com a ausência de transporte escolar, comprometendo seu aprendizado. Situação se repete em outras regiões do Amazonas.

MANAUS — Na comunidade Monte Cristo, situada na zona rural de Tarauacá, a 409 quilômetros de Rio Branco, no Acre, os alunos do anexo da escola estadual João Paulo III frequentemente enfrentam longos períodos sem aulas devido à precariedade no transporte escolar. O presidente da associação de moradores, Alcidionei Ponciano da Silva, destacou que o acesso ao ensino é frequentemente interrompido pelo Rio Gregório, devido à falta de pagamento aos barqueiros e à escassez de combustível.
“Já teve vez que pararam [as aulas] um mês ou até mais. A gente está com dificuldade com os barcos. Às vezes é por falta de diesel, às vezes é por falta de pagamento dos barqueiros. Aí fica enrolado e não tem aula. Por isso, a gente está muito atrasado nas aulas”, afirmou Alcidionei. A escola, que funcionava em condições precárias na casa de um morador, foi realocada para uma escola municipal após manifestações de pais e alunos.
Na região, dois barqueiros terceirizados são responsáveis pelo transporte escolar. Um deles, que falou com a reportagem, revelou que está com salários atrasados há quatro meses. “As empresas não estão pagando o salário dos barqueiros. Sempre tem atraso. E quando chega no dia, não tem combustível para transportar. Passam dois meses e eles pagam um mês. É assim direto”, relatou o barqueiro, ressaltando a precariedade da situação.
A Secretaria de Estado de Educação do Acre (SEE) foi procurada e informou que o anexo da escola João Paulo III opera em um espaço compartilhado com a rede municipal, já que não possui um prédio próprio. A SEE também está em processo de contratação de uma empresa de engenharia para a construção da nova unidade escolar. Quanto aos atrasos nos pagamentos dos barqueiros, a secretaria afirmou que os repasses ao serviço estão regularizados e que acompanha a execução do contrato.
Além da comunidade Monte Cristo, o problema de transporte escolar atinge alunos da escola estadual Anilia Nogueira da Silva, em Nossa Senhora das Graças, na zona rural de Itacoatiara. O agricultor Klinger Ferreira Rebelo destacou que a unidade atende 11 comunidades ribeirinhas e enfrenta incertezas no transporte, com atraso nos pagamentos. A professora Amélia Nogueira, doutora em geografia, enfatiza que a falta de transporte prejudica o acesso e a permanência dos alunos nas escolas, o que acentua as desigualdades sociais na região. Para uma educação de qualidade na Amazônia, especialistas sugerem a implementação de políticas públicas que garantam recursos adequados e segurança no transporte escolar.
Fonte: Amazonas Atual