Feira do Ver-o-Peso pode se tornar Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil
Reunião no Solar da Beira discute proposta de registro das tradições da feira. Iphan e feirantes buscam reconhecimento das práticas culturais.

No dia 23 de abril, o Solar da Beira, um importante edifício histórico localizado no Complexo do Ver-o-Peso em Belém (PA), foi o cenário de um debate significativo sobre a proposta de inscrição da Feira do Ver-o-Peso como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. A iniciativa, que partiu dos próprios feirantes, teve como objetivo discutir o registro das tradições e saberes que fazem da feira um espaço vital na cultura paraense.
A reunião contou com a presença do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e representantes dos 28 setores que compõem a Feira do Ver-o-Peso. O encontro foi organizado pelo Instituto Ver-o-Peso, que busca o reconhecimento das práticas, ofícios e memórias dos trabalhadores que atuam na feira e que a tornam um organismo cultural pulsante e insubstituível.
Para a superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos, a reunião foi extremamente produtiva, ajudando a esclarecer muitas dúvidas dos feirantes. “Eles agradeceram muito ao Iphan pela visita ao Ver-o-Peso, conseguimos reunir muitos feirantes, e muitas categorias estavam presentes. Foi um encontro muito produtivo”, afirmou Cristina.
Durante a reunião, o técnico do Iphan, Cyro Lins, explicou a diferença entre tombamento e registro. Enquanto o tombamento protege o patrimônio material, como edificações e paisagens, o registro se concentra nas práticas culturais e saberes que são transmitidos de geração em geração. A proposta atual visa a inscrição da feira no Livro de Registro dos Lugares, que reconhece espaços de práticas culturais coletivas.
Esse tipo de reconhecimento não é inédito no Brasil, pois outras feiras, como a de Caruaru em Pernambuco e a de Campina Grande na Paraíba, já conquistaram essa distinção e hoje são consideradas patrimônios imateriais. Ao final do encontro, os feirantes presentes decidiram se reunir para organizar as informações necessárias e formalizar o pedido de registro, com o Iphan oferecendo suporte técnico neste processo para garantir que os saberes dos trabalhadores da feira sejam preservados.
Fonte: Portal Amazônia