Festival das Ariranhas em Palmari inspira projeto de mestrado na USP
O Festival das Ariranhas, realizado em Palmari, no Amazonas, promoveu atividades culturais e inspirou um projeto de mestrado que envolve o monitoramento das ariranhas com a participação da comunidade.

No município de Palmari, localizado na bacia do rio Javari, o Festival das Ariranhas se destacou como uma celebração cultural e de educação ambiental, reunindo moradores e comunidades vizinhas. O evento, que incluiu atividades como teatro, futebol e um concurso de imitação de sons de ariranhas, foi organizado pelo biólogo colombiano Kirpal Rodriguez e promoveu um almoço comunitário para fortalecer os laços entre os participantes.
O festival foi realizado em comemoração ao Dia Mundial da Lontra, celebrado na última quarta-feira de maio, e teve como modelo o Festival del Choibó, uma iniciativa colombiana voltada para a conservação do macaco-aranha-marrom. A programação foi cuidadosamente elaborada em colaboração com a comunidade local, abordando a relação entre os moradores e as ariranhas, que inclui desafios relacionados à pesca e ao convívio com os animais.
Durante o evento, foram discutidos relatos de pescadores sobre os impactos das ariranhas, como a captura de peixes e danos às redes de pesca. A experiência de organização comunitária foi fundamental para a construção de um projeto de mestrado que visa envolver os moradores no monitoramento das ariranhas por meio da gravação de suas vocalizações. Kirpal, que é graduado pela Universidade de los Andes, em Bogotá, escolheu a FFCLRP da USP por conta das pesquisas em bioacústica desenvolvidas no laboratório da professora Patrícia Ferreira Monticelli.
O projeto propõe uma abordagem inovadora que combina bioacústica, inteligência artificial e o conhecimento local para monitorar a presença e os padrões de atividade das ariranhas em rios, lagos e igarapés. Os moradores serão fundamentais na escolha dos locais onde os gravadores serão instalados, utilizando sua experiência sobre os deslocamentos dos animais. Além disso, voluntários levarão equipamentos portáteis para registrar as vocalizações durante atividades de pesca.
As gravações coletadas contribuirão para um monitoramento acústico passivo, permitindo identificar comportamentos e áreas utilizadas pelas ariranhas. A professora Patrícia enfatiza que o mérito do projeto é de Kirpal e destaca a importância de futuras edições do Dia da Ariranha, com o objetivo de avaliar mudanças nas crenças e atitudes da comunidade em relação à convivência com os animais e à preservação do ecossistema. O projeto não prevê intervenções diretas para modificar atitudes, mas busca estabelecer uma base sólida para ações futuras.
Fonte: Portal Amazônia