Festival de Parintins: Mulheres Expandem seu Espaço como Tuxauas e Morubixabas
A presença feminina no Festival de Parintins ganha destaque com mulheres assumindo papéis históricos como Tuxauas e Morubixabas, refletindo a diversidade e representatividade.

Parintins, a 369 quilômetros de Manaus, é o palco do Festival de Parintins, onde a figura do Tuxaua, inspirada nas lideranças indígenas da Amazônia, tem passado por transformações significativas. Tradicionalmente interpretado por homens, o item agora conta com uma crescente presença feminina, ampliando a representatividade e reforçando que liderança e protagonismo transcendem gêneros.
Esse movimento de inclusão feminina no item Tuxaua está alinhado com uma valorização mais ampla da diversidade no festival, promovido pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa. Ao ocuparem espaços que antes eram dominados por homens, as mulheres demonstram que o festival é uma manifestação cultural dinâmica, capaz de se adaptar às demandas contemporâneas sem perder suas raízes nas tradições amazônicas.
No Bumbódromo, essas novas trajetórias se transformam em arte e emoção, ressaltando a habilidade do festival em celebrar a riqueza cultural dos povos da Amazônia. A partir de 2023, o Boi Garantido começou a incluir mulheres no item 14, permitindo que novas gerações de artistas, como Eloá Godinho, fossem reconhecidas. Eloá se tornou a primeira mulher parintinense a assumir a função de Tuxaua, destacando que sua presença inspira outras mulheres a acreditarem em suas capacidades de liderança.
Outra figura proeminente é Ana Miranda, que, atuando como Tuxaua há três anos, vê sua participação como uma afirmação da força feminina. “O Garantido inovou ao trazer as Tuxauas femininas. Mostramos que somos capazes de carregar esse item com determinação”, afirma Ana, ressaltando a importância da presença feminina em um espaço que foi historicamente masculino.
O Boi Caprichoso também não fica atrás e apresenta as Morubixabas, que honram as tradições indígenas. Ira Maraguá, que integra o grupo de Morubixabas há quatro anos, considera sua participação um triunfo coletivo para os povos indígenas. Além disso, Kaila Hexkaryana e Lup Moara estão quebrando barreiras, representando mulheres indígenas e trans, respectivamente, e fortalecendo a diversidade no festival. A inclusão de vozes femininas e LGBTQIA+ reafirma o compromisso do festival com uma cultura inclusiva, refletindo as transformações da sociedade e a diversidade da identidade amazônica.
Fonte: D24AM