Fim da Moratória da Soja pode aumentar desmatamento na Amazônia em 1,4 milhão de hectares
A extinção da Moratória da Soja pode elevar o desmatamento na Amazônia em 17% nos próximos 10 anos, sem benefícios para os produtores.

O término da Moratória da Soja, que foi estabelecida em 2006, pode resultar em um aumento significativo do desmatamento na Amazônia, estimando-se que cerca de 1,4 milhão de hectares adicionais possam ser desmatados nos próximos dez anos. De acordo com um estudo publicado na revista Science, essa mudança pode provocar um aumento de 17% nas taxas históricas de desmatamento, contribuindo com emissões de CO₂ equivalentes às do Canadá.
A pesquisa aponta que o risco associado ao fim deste acordo não se limita apenas à conversão direta de áreas para a produção de soja, mas também à intensificação da pressão sobre regiões que possuem potencial para expansão agrícola e são suscetíveis à especulação fundiária. Nos últimos anos, a Amazônia apresentou uma tendência de redução do desmatamento, fruto de várias iniciativas de controle e fiscalização.
Desde a implementação da Moratória, a área dedicada ao cultivo de soja na Amazônia triplicou, ocorrendo maiormente em áreas já desmatadas. O estudo revela que existem entre 9,7 milhões e 15 milhões de hectares de terras previamente desmatadas disponíveis para essa expansão agrícola, enquanto a Moratória conseguiu reduzir o desmatamento em aproximadamente 35% nas áreas de risco, evitando a perda de cerca de 1,8 milhão de hectares de florestas.
Os autores do artigo ressaltam que a extinção do acordo pode levar a um aumento no desmatamento direto para a produção de soja. Além disso, eles identificaram 9,1 milhões de hectares de florestas em propriedades privadas que podem ser desmatadas legalmente e até 28,7 milhões de hectares de florestas públicas vulneráveis à especulação, especialmente em regiões com potencial para expansão da infraestrutura.
Tiago Reis, especialista em Conservação do WWF-Brasil, afirmou que a Moratória da Soja demonstrou que é viável aumentar a produção agrícola enquanto se mantêm critérios de conservação. Ele destacou a importância de mecanismos que atuem nas cadeias produtivas para reduzir os incentivos econômicos ao desmatamento, afirmando que a experiência deve ser incorporada na estratégia de desenvolvimento sustentável do Brasil.
Fonte: Portal Amazônia