Formação Pedagogia da Floresta fortalece ensino tradicional em Igapó-Açu
Encontro realizado de 16 a 18 de abril de 2026 em Igapó-Açu fortaleceu práticas pedagógicas ligadas à floresta, com apoio da Katia Francesconi Foundation e participação de consultoras.

Entre os dias 16 e 18 de abril de 2026, a Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental da comunidade Igapó-Açu, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Igapó-Açu, município de Manicoré, a 260 quilômetros de Manaus, sediou o 2º Encontro de Formação Pedagogia da Floresta. O evento foi realizado pela Casa do Rio, com financiamento integral da Katia Francesconi Foundation.
A formação deu continuidade ao trabalho iniciado em 2023, quando a primeira edição reuniu mais de 300 professores da rede municipal de ensino. Nesta segunda edição, o foco esteve na própria escola, envolvendo 21 participantes entre professores, gestores, auxiliares, merendeiras, comunitários e parceiros, em atividades baseadas nas vivências do território. O processo foi conduzido por cinco consultoras.
Lia Mandelsberg, coordenadora do projeto, destacou que a segunda edição representa um amadurecimento da atuação da Casa do Rio junto à educação pública. Segundo ela, enquanto a primeira edição alcançou uma ampla rede de escolas, o segundo encontro aprofundou o trabalho em uma única escola, localizada em área de conservação ambiental e com histórico de parceria com a instituição.
As atividades do encontro reuniram práticas artísticas, corporais, lúdicas e conceituais, alternando teoria e prática e dialogando com os ritmos da floresta e da vida amazônica. As metodologias foram conduzidas pelas consultoras Carla do Carmo, Ceane Simões, Annie Martins e Renata Peixe-Boi. Entre os conteúdos trabalhados estiveram a Pedagogia da Onça Pintada, práticas inspiradas no Teatro do Oprimido e atividades voltadas à compreensão das infâncias e das identidades do território.
A consultora Annie Martins, docente de Teatro na Universidade do Estado do Amazonas, ressaltou que a experiência ampliou reflexões sobre educação e pertencimento na floresta amazônica. O Teatro do Oprimido foi utilizado como metodologia para potencializar práticas já desenvolvidas na escola, promovendo retomadas indígenas e valorizando costumes ancestrais.
O encontro também promoveu brincadeiras, vivências e atividades de memória das infâncias, integrando o currículo escolar às experiências vividas pelos moradores. Brincar, remar, subir em árvores, brincar com sementes e reconhecer plantas e bichos fazem parte do cotidiano das crianças e são valorizados no processo de ensino.
A alimentação e a cultura alimentar amazônica também foram abordadas. A Cozinha Boca da Mata, conduzida pela consultora Renata Peixe-Boi, encerrou a programação com uma atividade voltada ao preparo de alimentos com ingredientes locais e sem uso de agrotóxicos, envolvendo as merendeiras da escola. Lia Mandelsberg enfatizou que o envolvimento de toda a equipe escolar reconhece a importância de cada função na formação das crianças.
Lia também destacou que o apoio da Katia Francesconi Foundation tem sido fundamental para a continuidade do trabalho, permitindo o fortalecimento de práticas já existentes na comunidade. Em Igapó-Açu, a experiência aproxima escola e território, mantendo o aprendizado vivo nas práticas cotidianas e nas memórias da comunidade.
Fonte: D24AM