Frigoríficos da Amazônia enfrentam desafios no controle do desmatamento
Estudo revela que 72 plantas frigoríficas da Amazônia habilitadas para exportar carne não controlam desmatamento. A análise aponta fragilidades na cadeia de fornecimento.

Uma análise recente realizada pelo Radar Verde revelou que 72 plantas frigoríficas da Amazônia Legal, que têm autorização para exportar carne bovina para mercados do Oriente Médio e do Norte da África, não oferecem controle eficaz contra o desmatamento. Esses frigoríficos são essenciais para atender a países como Argélia, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Líbano e Marrocos, representando aproximadamente 58% da capacidade de abate na região.
Apesar da importância econômica desses mercados, a maioria das plantas frigoríficas analisadas não demonstra controle sobre as fazendas fornecedoras indiretas. Este fator é considerado crucial para evitar que o gado associado ao desmatamento entre na cadeia produtiva da carne bovina, comprometendo a sustentabilidade do setor. O levantamento indicou que 43 das 72 plantas têm um baixo nível de controle, enquanto 29 apresentam controle muito baixo.
A análise do Radar Verde se baseou nos dados de 2025, avaliando a adoção de políticas de desmatamento zero pelas empresas frigoríficas. Dentre as plantas analisadas, 39 demonstraram um alto nível de controle sobre as fazendas fornecedoras diretas, correspondendo a 35% da capacidade de abate na Amazônia Legal. Contudo, a falta de monitoramento das fontes indiretas representa um desafio significativo para a integridade da cadeia de fornecimento.
O estudo destaca que, em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina para o Oriente Médio e Norte da África totalizaram US$ 1,79 bilhão, o que equivale a cerca de 10% do total exportado pelo Brasil no ano. Com a diminuição das exportações para a China devido à introdução de cotas tarifárias, esses mercados se tornaram uma alternativa importante para o setor. A certificação halal, além de ser um requisito essencial, não é suficiente para garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva.
Para mitigar os riscos de desmatamento, o estudo recomenda que compradores e importadores priorizem empresas que adotem políticas de desmatamento zero e que demonstrem um controle mais rigoroso sobre suas cadeias de fornecimento. Além disso, sugere-se a implementação de medidas que melhorem a credibilidade da cadeia brasileira, como o acesso às Guias de Trânsito Animal e a integração de dados ambientais. Assim, o Radar Verde propõe que o crescimento das exportações brasileiras de carne para esses mercados ocorra com padrões mais definidos de transparência e responsabilidade socioambiental.
Fonte: Portal Amazônia