Gestão, Cultura e Impacto Social são debatidos no 24º ENADAM em Manaus
O 24º Encontro de Administração do Amazonas trouxe debates sobre gestão cultural e seu impacto social no Teatro Manauara. Mariane Cavalcante e outros especialistas compartilharam experiências relevantes.

A relação entre gestão, cultura e impacto social foi tema de debate na quarta-feira (16), no Teatro Manauara, em Manaus. O evento marcou o encerramento do 24º Encontro de Administração do Amazonas (ENADAM), durante o Debate Qualificado “Cultura, Inclusão e Desenvolvimento”. Participaram estudantes de Administração, profissionais da área, professores universitários, empreendedores e representantes de diferentes setores.
A mesa de debate contou com a participação de Mariane Cavalcante, diretora-executiva da Fundação Rede Amazônica; Cândido Jeremias, diretor-presidente da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC); e Rafa Militão, DJ, rapper e produtora cultural. A conversa foi mediada pelo administrador Inácio Guedes, presidente do Instituto Amazônico de Mediação e Administração Empresarial (IAME Amazônia).
Mariane Cavalcante destacou que projetos desenvolvidos na região precisam considerar as características de cada território. Segundo ela, iniciativas planejadas para uma realidade não podem ser simplesmente replicadas em outra comunidade. “Acho que nenhuma equidade nasce sem respeitar as diferenças. A gente vive numa região com dimensões continentais, com peculiaridades, com povo e cultura diferentes, com manifestações locais. Então, a gente não pode chegar lá com o projeto pronto e entender que o projeto aqui de Manaus vai ser o mesmo projeto que vai ser realizado lá em Macapá.”
Cândido Jeremias ressaltou a necessidade de adaptar as iniciativas às condições locais, destacando que fatores como distância, logística e custos precisam ser considerados no planejamento de projetos culturais na região. “O valor amazônico pra eu desenvolver um projeto lá em São Gabriel da Cachoeira não pode ser o mesmo valor pra eu executar um projeto lá em São Paulo, Rio de Janeiro.” Ele também chamou atenção para a presença da produção cultural em diferentes espaços da Amazônia, desde comunidades ribeirinhas até periferias e municípios do interior, e destacou o papel do poder público na criação de condições para o desenvolvimento dessas manifestações.
Entre os exemplos apresentados esteve o Pipoca em Cena, projeto da Fundação Rede Amazônica que utiliza o audiovisual como ferramenta de educação e protagonismo para estudantes de escolas públicas. Os participantes desenvolvem histórias, roteiros e curtas-metragens a partir do olhar sobre os próprios territórios. Mariane explicou que a cultura vai além do entretenimento, desempenhando papel no desenvolvimento das pessoas. Cândido acrescentou que o projeto proporciona aos estudantes contato com diferentes etapas da produção audiovisual, incluindo criação de roteiros e dramaturgia.
Mariane também falou sobre a importância de mensurar resultados para verificar os efeitos das ações e identificar a necessidade de ajustes. “Você precisa mensurar resultados. Você precisa saber de fato se o que você desenhou tá realmente impactando aquelas pessoas e tá deixando um legado.”
Rafa Militão comentou sobre a necessidade de administrar a própria carreira e desenvolver uma visão profissional sobre a atividade artística. “Eu já comecei a me entender como empresa. Já comecei a me entender como uma marca.”
O 24º ENADAM teve como tema “Gestão & Cultura – Conectando Mercados, Comunidades e Inovação” e foi realizado nos dias 15 e 16 de setembro, no Teatro Manauara. Durante o encontro, foram abordados temas relacionados à gestão, economia criativa, inovação, sustentabilidade, marketing e negócios culturais.
Fonte: Portal Amazônia