Gilmar Mendes critica Mendonça por ataque a procurador-geral
Ministro do STF defende Paulo Gonet após decisão do CNMP e critica ações de André Mendonça. Gilmar destaca riscos de decisões rápidas e seu impacto na reputação.

BRASÍLIA – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, comentou sobre a decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que rejeitou a abertura de investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo Gilmar, essa decisão "apenas confirmou a lisura de um homem íntegro, que dedicou a vida ao país e às instituições".
A declaração foi feita em uma publicação no X no último sábado, dia 26. Gilmar não perdeu a oportunidade de criticar o relator do caso, André Mendonça, em razão do levantamento do sigilo sobre um relatório da Polícia Federal que revelou a relação de Gonet com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Gilmar Mendes destacou que, antes do levantamento do sigilo, o próprio Mendonça havia reconhecido em Plenário a fragilidade das insinuações feitas contra Gonet. "Levanta-se o sigilo, submete-se a reputação de um homem honrado a ataques rasteiros nas redes sociais e, só então, reconhece-se que nada de grave havia naquelas conversas", afirmou o ministro.
Para o decano do STF, o "dano reputacional já estava consumado" devido aos "vazamentos seletivos" que, segundo ele, foram promovidos por Mendonça em um inquérito que ganhou atenção conforme se aproximavam as eleições. Além disso, Gilmar criticou a decisão de André Mendonça que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, uma medida que foi posteriormente suspensa pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
Gilmar considerou essa ação "desproporcional" e que causou efeitos imprevisíveis nas instituições. Ele argumentou que a reversão rápida dessa decisão evitou danos ainda maiores ao comando da Polícia Federal, que é responsável pela segurança das fronteiras e pela repressão a crimes graves. O ministro finalizou afirmando que esses episódios evidenciam a necessidade de se repensar a prática de decisões monocráticas de grande impacto, defendendo a aplicação da figura do juiz de garantias também para o Supremo.
Fonte: Amazonas Atual