Grande Sertão: Veredas completa 70 anos e é tema de análises e homenagens
Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, completa 70 anos, é analisado por especialistas e homenageado em eventos, com destaque para seu processo criativo e influência cultural.

O livro Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, lançado há 70 anos, segue sendo analisado por especialistas e homenageado em eventos literários. O professor, economista e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Eduardo Giannetti, afirma que a obra é uma das mais ousadas e inovadoras da literatura brasileira, destacando seu “cuidado e apuro formal, inexcedível”.
Giannetti observa que Rosa descrevia seu processo criativo como “um experimento quase mediúnico”, relatando que o autor sentia-se tomado por algo externo ao escrever. Ele cita uma expressão do próprio Rosa: “De repente, o diabo me cavalga”, ressaltando a combinação entre pesquisa formal e entrega criativa no romance.
Entre 1946 e 1956, Guimarães Rosa escreveu paralelamente Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile, concluindo ambos em 1956. Segundo o jornalista Leonêncio Nossa, autor da primeira biografia do escritor, o romance nasceu de uma história inicialmente prevista para Corpo de Baile. Rosa se inspirou em uma viagem ao interior de Minas Gerais com o amigo Pedro Barbosa Moreira, percorrendo a região das veredas, que passou a ser cenário de sua obra.
Leonêncio Nossa destaca que Rosa deu nomes de pessoas de seu convívio, familiares e figuras da cultura e política aos personagens do livro, como o jagunço Dos Anjos, referência a Augusto dos Anjos e ao avô do autor, major Luiz Guimarães. O biógrafo também relata que Rosa ouvia programas da Rádio Nacional com artistas como Marlene, Emilinha Borba, Ademilde Fonseca e Virgínia Lane enquanto escrevia, além de assistir a filmes como Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa. Rosa também se dedicava à divulgação de seus livros, enviando exemplares de Sagarana a personalidades como Getúlio Vargas, Monteiro Lobato e Carlos Drummond de Andrade.
O lançamento de Grande Sertão: Veredas ocorreu na Livraria José Olímpio, no Rio de Janeiro, em 16 de julho de 1956. O livro recebeu críticas iniciais, principalmente pela linguagem popular dos personagens, que alguns críticos consideraram incomum. Rosa explicou que não inventou uma língua, mas retratou o modo de falar do interior do Brasil. A cantora Adriana Calcanhoto destacou a importância do registro dessa fala popular na obra. Eduardo Giannetti, atual ocupante da cadeira 2 da ABL, descobriu parentesco com Rosa ao ler a biografia de Leonêncio Nossa, fato que o motivou a aprofundar seus estudos sobre o escritor.
Fonte: D24AM