Grupo ligado a Daniel Vorcaro tinha acesso a informações sigilosas do MPF, PF e Interpol
Relatório da PF de 2024 aponta que grupo ligado a Daniel Vorcaro tinha acesso a informações sigilosas do MPF, PF e Interpol, além de envolvimento em ações ilícitas.

Em Brasília, um relatório da Polícia Federal (PF) datado de 27 de fevereiro de 2024 revelou que o grupo associado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, tinha acesso a informações sigilosas sobre investigações contra ele no Ministério Público Federal (MPF), na Polícia Federal (PF) e até na Interpol, organização internacional integrada por 196 países.
O documento, enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e Vorcaro, aponta a existência de um grupo chamado “A Turma”. Essa estrutura paralela de vigilância, milícia e coerção privada era mantida por Vorcaro, que pagava R$ 1 milhão por mês para seu funcionamento. Um dos integrantes do grupo era Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado como Felipe Mourão e Sicário no relatório.
Segundo o relatório de 164 páginas, que inclui reproduções de conversas de WhatsApp entre os envolvidos, Sicário foi contratado para realizar acessos recorrentes e irregulares a procedimentos sigilosos em andamento no MPF, PF, Polícia Civil e Banco Central. O acesso clandestino era feito por meio da utilização de logins funcionais de terceiros, permitindo a extração indevida de documentos e consultas não autorizadas em sistemas internos das instituições.
O relatório destaca que, em 15 de fevereiro de 2024, Vorcaro enviou uma mensagem a Sicário questionando sobre um inquérito policial na PF. Quarenta minutos depois, Felipe Mourão respondeu com um áudio do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, que afirmou ter feito contato com a “Tropa” e que dariam atenção especial ao pedido de Vorcaro. Marilson tinha acesso ilícito aos sistemas do MPF e foi preso em 4 de março de 2026, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, em Belo Horizonte.
A investigação identificou que a “Turma” tinha acesso ao sistema ePol, exclusivo para policiais federais, e evidências indicam que o grupo chegou a acessar organismos internacionais, como o FBI e a Interpol. A PF consultou a Interpol no Brasil e recebeu a informação de que a identidade visual do sistema acessado não corresponde aos mecanismos oficiais da organização, sugerindo que a consulta pode ter sido feita por meio de sistemas de outros países.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 devido a uma grave crise de liquidez e comprometimento econômico-financeiro, além de graves violações às normas. O Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal, esteve envolvido em tentativas de compra do Master, mas a venda foi barrada pelo Banco Central. O relatório da PF aponta um relacionamento ilícito entre Vorcaro e dois diretores do Banco Central.
Daniel Vorcaro foi preso em novembro de 2025 e novamente em março de 2026 por ordem do STF, permanecendo detido. Sicário também foi preso, mas morreu dois dias depois após uma tentativa de suicídio na prisão. Além da espionagem, o relatório indica que Vorcaro utilizava Sicário para serviços como atos de violência, coação e intimidação, incluindo o planejamento e possível execução de agressões físicas com mobilização de pessoas armadas, com o objetivo de pressionar e silenciar determinadas pessoas.
Fonte: Amazonas Atual