Hanseníase no Amazonas: queda de 95% em 40 anos, mas crianças ainda são afetadas
Embora os casos de hanseníase no Amazonas tenham diminuído em 96% nas últimas quatro décadas, o diagnóstico em crianças continua sendo um grande desafio.

Especialistas em saúde pública alertam que a hanseníase ainda não está sob controle na região amazônica, considerada uma das mais desafiadoras para o combate à doença. Apesar de uma redução significativa, a transmissão da doença persiste, especialmente entre crianças.
De acordo com um artigo de revisão científica publicado na Revista Brasileira de Medicina Tropical em 24 de outubro de 2024, o número de casos de hanseníase no Amazonas caiu quase 96% nos últimos 40 anos. Entre 1981 e 2024, os diagnósticos reduziram de 154 para 6,65 casos por 100 mil habitantes, mudando a classificação da região de hiperendêmica para endemicidade média.
Em 2024, o estado notificou 326 novos casos de hanseníase, dos quais mais de 260, representando 80%, eram novos diagnósticos. A persistência de casos entre crianças menores de 15 anos, que corresponderam a 3,4% dos registros, indica que a transmissão da doença ainda está ativa, especialmente em municípios de difícil acesso.
Carolina Talhari, uma das autoras do artigo e pesquisadora da Universidade do Estado do Amazonas e da Fundação Alfredo da Matta de Dermatologia, enfatiza que a continuidade de casos em crianças e o diagnóstico tardio são preocupantes. “A presença de formas multibacilares e pacientes que já chegam ao diagnóstico com incapacidades físicas evidenciam que muitos ainda são diagnosticados tardiamente”, afirma Talhari.
O artigo também destaca o papel do Amazonas como um centro de produção de conhecimento científico com impacto tanto nacional quanto internacional. O estado tem contribuído para avanços em diversas áreas, incluindo resistência a medicamentos e vigilância genômica da resistência antimicrobiana. Talhari conclui que são necessários mais investimentos e a atualização de políticas públicas para auxiliar na prevenção, detecção precoce e tratamento da hanseníase.
Fonte: Portal Amazônia