Homens ainda evitam consultas urológicas, prejudicando saúde e prevenção
Cerca de 46% dos homens acima de 40 anos buscam urologistas apenas após sintomas graves. A falta de informação compromete a saúde masculina e o diagnóstico precoce.

Em Manaus, muitos homens têm o costume de procurar assistência médica apenas quando os sintomas se tornam insuportáveis ou limitantes, o que resulta em uma negligência em relação a exames preventivos essenciais. Esses exames são fundamentais para detectar doenças silenciosas e garantir uma boa qualidade de vida. Dados recentes da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) evidenciam essa barreira cultural que ainda persiste entre a população masculina.
Uma pesquisa da SBU revela que cerca de 46% dos homens com mais de 40 anos só buscam atendimento médico ao sentirem algum sintoma ou dor. O problema começa desde a juventude, já que as estatísticas mostram que o número de consultas de adolescentes do sexo feminino com ginecologistas é 18 vezes maior do que o de meninos que buscam urologistas. Essa disparidade indica uma necessidade urgente de mudança nos hábitos de cuidado à saúde masculina.
Além disso, é alarmante que, embora 75% dos homens conheçam o câncer de próstata, apenas 43% estejam cientes da Hiperplasia Benigna da Próstata (HPB), uma condição que afeta cerca de 50% dos homens com mais de 50 anos. O médico urologista Flávio Antunes, professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), destaca que quebrar esse tabu é fundamental, pois a urologia abrange não apenas a próstata, mas também a saúde do trato urinário e reprodutivo em todas as fases da vida.
A falta de sintomas nas primeiras etapas das doenças prostáticas frequentemente gera uma falsa sensação de segurança entre os homens. De acordo com a SBU e o Ministério da Saúde, o câncer de próstata causa entre 47 a 48 mortes diárias no Brasil, com mais de 70 mil novos casos diagnosticados anualmente. Quando a doença apresenta sintomas, como dor ou dificuldade para urinar, geralmente já está em um estágio avançado, o que diminui significativamente as chances de cura.
A recomendação da SBU é que homens comecem a se consultar anualmente com um urologista a partir dos 50 anos, ou aos 45 anos se tiverem fatores de risco, como histórico familiar ou serem negros. Além do rastreamento do câncer, o acompanhamento regular pode melhorar a saúde hormonal e sexual dos homens, prevenir problemas urinários e até auxiliar no planejamento familiar. O Dr. Flávio Antunes enfatiza que adiar a ida ao especialista pode prejudicar a qualidade de vida, mas que atualmente existem tecnologias e métodos menos invasivos que facilitam o diagnóstico e tratamento.
Fonte: D24AM