Homicídios de mulheres indígenas aumentam 500% no Brasil em duas décadas
Estudo da UFPR revela que entre 2003 e 2022, homicídios de mulheres indígenas cresceram drasticamente, refletindo desigualdades sociais e étnicas.

Um estudo realizado por pesquisadores do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Paraná (UFPR) revelou que os homicídios de mulheres e meninas indígenas no Brasil aumentaram em 500% nos últimos 20 anos. A pesquisa, publicada na revista Ciência & Saúde Coletiva no final de 2022, analisou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) entre 2003 e 2022, focando em vítimas a partir de 10 anos de idade.
Os autores do estudo examinaram 394 registros de homicídios e destacaram que, entre as vítimas, 40,4% eram jovens de 15 a 29 anos. Outros grupos etários afetados foram os de 30 a 39 anos (19,3%), 40 a 49 anos (12,4%) e 10 a 14 anos (7,1%). A maioria das vítimas era solteira, o que pode indicar que o fim de relacionamentos abusivos aumenta a vulnerabilidade a situações de feminicídio.
O estudo também apontou que a maioria dos homicídios ocorreu em locais não especificados (36%), mas muitos foram registrados em residências (28%), hospitais (18,8%) e vias públicas (14,7%). A região Centro-Oeste do Brasil apresentou a maior taxa de homicídios, com destaque para o estado de Mato Grosso do Sul, e o uso de objetos cortantes foi o mais comum, representando 34% dos casos.
Além disso, a pesquisa observou que a baixa escolaridade das vítimas está relacionada à vulnerabilidade, já que mulheres com menor nível de educação tendem a ter menos autonomia financeira e acesso a redes de apoio. O professor Clóvis Wanzinack, coautor do estudo, ressalta que a desigualdade no acesso à educação é parte de um problema maior que envolve racismo estrutural e desassistência do Estado.
A ativista indígena Jaqueline Gomes de Moura, do Povo Kambiwá, enfatiza que a violência contra mulheres indígenas está ligada ao racismo, colonialismo e à ausência de políticas públicas adequadas. Ela afirma que o aumento da violência está relacionado à invasão de terras, que intensifica a presença de grupos que disputam ilegalmente essas áreas. Moura defende a necessidade de políticas públicas específicas e a participação ativa das mulheres indígenas na formulação dessas ações para enfrentar esse grave problema.
Fonte: Portal Amazônia