Human Rights solicita à ONU investigação sobre abusos no Rio Abacaxis, AM
A Human Rights Watch denunciou à ONU assassinatos e tortura de indígenas e ribeirinhos por policiais no Rio Abacaxis, sem responsabilização até hoje.

MANAUS - A Human Rights Watch, uma ONG dedicada à defesa dos direitos humanos, enviou uma carta à Organização das Nações Unidas (ONU) denunciando graves abusos cometidos por policiais militares no Amazonas. O caso envolve assassinatos e tortura de indígenas e ribeirinhos na região do Rio Abacaxis, ocorridos em agosto de 2020.
Segundo a Human Rights Watch, “até hoje ninguém foi responsabilizado pelos abusos” que resultaram na morte de pelo menos seis pessoas, incluindo dois indígenas, dois homens não indígenas, e uma mulher com seu filho de 15 anos. Além disso, a ONG destaca que outros dois indivíduos estão desaparecidos desde o incidente.
A carta descreve que os policiais invadiram residências sem mandado judicial e torturaram os moradores. Entre os métodos utilizados, a ONG cita ações brutais, como colocar sacos plásticos na cabeça das vítimas, colocar uma criança em um freezer e manter famílias em cárcere privado.
A Human Rights Watch também aponta falhas significativas na condução da investigação, mencionando que a direção da Polícia Federal trocou o delegado responsável pelo caso em seis ocasiões, sem qualquer explicação. O Ministério Público Federal chegou a denunciar 13 policiais, incluindo o ex-secretário de Segurança Pública do Amazonas, Louismar de Matos Bonates, por homicídio, tortura, sequestro e ocultação de cadáver.
No entanto, a HRW ressalta que os processos criminais estão atualmente paralisados devido a uma disputa de competência entre dois tribunais federais. Na carta, a organização pede que a ONU solicite informações ao governo brasileiro, se reúna com as vítimas e ativistas e recomende medidas de proteção às comunidades que, segundo a ONG, “temem novas ameaças e violência”.
Fonte: Amazonas Atual