Imersão de saberes ancestrais empodera mulheres Kambeba no Amazonas
O projeto Arte Kambeba promoveu uma imersão de saberes ancestrais para mulheres indígenas na Comunidade Três Unidos, fortalecendo a cultura e a economia local.

O projeto Arte Kambeba trouxe um importante evento para a Comunidade Três Unidos, situada às margens do Rio Cuieiras, na região do Rio Negro, a 60 quilômetros de Manaus (AM). De 15 a 17 de setembro, mulheres indígenas da etnia Kambeba participaram de uma imersão focada em saberes ancestrais, onde teve ênfase na troca de conhecimento entre gerações do povo Omágua-Kambeba.
A programação do evento incluiu rodas de conversa e oficinas de artesanato, com foco em pintura corporal e empreendedorismo para o público feminino. Essa iniciativa parte do princípio de que cada peça artesanal representa a história dos Kambeba, utilizando materiais da floresta para criar colares, pulseiras, biojoias e grafismos que narram a presença e a identidade dessa comunidade na Amazônia.
A matriarca Diamantina Kambeba, carinhosamente conhecida como Babá, teve um papel fundamental no projeto. Com mais de 30 anos de experiência como artesã e liderança indígena, ela iniciou a produção artesanal na Comunidade Três Unidos, transformando sementes da floresta em biojoias que simbolizam identidade e pertencimento, além de fortalecer a economia local.
Tainara Kambeba, a idealizadora do projeto e jovem ativista ambiental, ressaltou a importância de reconhecer e manter vivo o legado cultural entre mulheres, jovens e crianças. Segundo Tainara, “o artesanato não é só uma simples biojoia, ele carrega a história, a identidade e a essência de cada mulher que produz aquilo”, enfatizando que esse conhecimento deve ser repassado para as próximas gerações.
Durante os três dias de imersão, as participantes tiveram a oportunidade de compartilhar suas histórias e experiências, culminando em uma roda de conversa voltada para a escuta coletiva. A transmissão de saberes ancestrais é vital para a cultura Kambeba, e a produção de kaparas, um adorno de cabeça sagrado que simboliza a identidade, se tornou um marco do projeto, promovendo a preservação cultural. Diamantina Kambeba expressou seu compromisso em ensinar as novas gerações, afirmando que é essencial manter viva a memória do povo Kambeba.
Fonte: Portal Amazônia