Impasse sobre passe livre estudantil gera acusações entre prefeito e governador
Impasse sobre o pagamento do passe livre estudantil em Manaus gera acusações entre prefeito Renato Júnior e governador Roberto Cidade, com divulgação de pagamentos e troca de declarações.

O impasse sobre o pagamento do subsídio do passe livre estudantil em Manaus pelo governo do Estado resultou em acusações entre o prefeito Renato Júnior (Avante), aliado do ex-prefeito David Almeida (Avante), pré-candidato ao Governo do Amazonas, e o governador Roberto Cidade (União Brasil), que busca a reeleição.
Nesta terça-feira (21), Roberto Cidade afirmou que Renato Júnior estaria agindo sob orientação de David Almeida para atribuir ao governo do Estado a responsabilidade pela greve dos trabalhadores rodoviários, que paralisaram a frota de ônibus na segunda-feira (20) alegando atraso no adiantamento salarial de julho. Cidade declarou que a greve foi explorada politicamente para desgastar sua gestão e disse: "O principal é dizer que estão utilizando o momento político para querer atrapalhar o governo, para querer colocar uma responsabilidade que é de todos. Mas isso é de alguém que não é pré-candidato nesta eleição, que está sendo comandado por outro pré-candidato e orientado por outro pré-candidato. Então, nós não vamos cair nesse tipo de política."
O governador reiterou que a responsabilidade constitucional pelo transporte coletivo é da Prefeitura de Manaus, mas reconheceu que o governo do Estado deve dar sua contribuição. Nas redes sociais, o ex-prefeito David Almeida publicou um vídeo atribuindo ao Governo do Amazonas o não pagamento do subsídio do passe livre desde a gestão do ex-governador Wilson Lima (União Brasil), aliado de Roberto Cidade.
Na manhã desta terça-feira (21), Renato Júnior afirmou em entrevista que a Prefeitura de Manaus está em dia com o Sinetram (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas) e responsabilizou o governo estadual pelo impasse. Segundo o prefeito, até 2026 o Estado não havia pago nenhum valor referente ao passe livre estudantil. O governador respondeu: "Recentemente, o prefeito tem me atacado, falando coisas que considero lamentáveis para um prefeito, para um gestor de uma capital do tamanho da cidade de Manaus [...] Palavras pequenas de alguém que está na condição de prefeito não merecem resposta, merecem trabalho. Mas eu estou muito tranquilo."
Roberto Cidade divulgou o comprovante do pagamento de R$ 18 milhões ao Sinetram, depositado nesta terça-feira, valor referente aos meses de fevereiro, março, abril, maio, junho e julho de 2026. O governador afirmou que tentou dialogar com Renato Júnior, mas que a situação envolvendo a parte do governo do Estado estava solucionada. Ele declarou: "Estou à disposição para conversar com quem quer que seja. Mas uma conversa é boa quando serve para resolver problemas. Quando ela vem para tirar um problema que é deles e colocar em mim, isso não é uma conversa produtiva. Então, a nossa parte nós fizemos. Problema resolvido."
O governador também reiterou o que havia dito o vice-governador Serafim Corrêa: segundo ele, a Seduc (Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar) tentou efetuar o pagamento ao Sinetram desde maio, mas o sindicato recusou receber o valor por discordar do montante. Mesmo assim, o depósito referente ao valor fixado por decisão judicial foi realizado nesta terça-feira. "Desde quando eu assumi o governo, nós conversamos, por meio da Seduc, com o Sinetram, querendo pagar a nossa parte, a nossa parcela. Eles queriam cobrar um valor a mais e, hoje, eu tive que tomar a atitude de pagar o que está escrito na decisão judicial, e nós fizemos isso. Hoje mesmo eu já efetuei o pagamento", disse Roberto Cidade.
Fonte: Amazonas Atual