Implementação do Código Florestal pode gerar até 3,1 milhões de empregos
Estudo revela que a restauração de passivos ambientais pode criar milhões de empregos no Brasil, especialmente na Amazônia e no Cerrado.

Um estudo recente, realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), aponta que a implementação do Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) tem o potencial de gerar até 3,1 milhões de empregos no Brasil. A pesquisa destaca as oportunidades que surgem a partir da restauração de passivos ambientais e da operacionalização do mercado de Cotas de Reserva Ambiental (CRA) nos biomas Amazônia e Cerrado.
De acordo com o estudo intitulado Cadeias Produtivas, Indústria e a Implementação do Código Florestal, o Brasil enfrenta aproximadamente 20 milhões de hectares de passivos ambientais que precisam ser regularizados. A restauração de 20% a 50% desses passivos pode resultar na criação de entre 0,7 a 1,9 milhão de empregos na Amazônia e de 0,5 a 1,2 milhão no Cerrado.
A pesquisa também revela que o Brasil possui 70 milhões de hectares de vegetação nativa excedente, ou seja, áreas verdes além do que é exigido por lei. O Cerrado concentra cerca de 25 milhões de hectares desse ativo, enquanto a Amazônia possui aproximadamente 6,2 milhões de hectares.
A implementação do CRA, prevista para ser anunciada pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) em outubro de 2025, promete ser um mecanismo eficaz para remunerar a conservação ambiental. Com um valor referencial de R$ 500 por hectare ao ano, o mercado de CRA pode movimentar anualmente cerca de R$ 20,6 bilhões nos biomas estudados, sendo R$ 3,3 bilhões na Amazônia e R$ 17,3 bilhões no Cerrado.
O superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, enfatiza que a situação atual dos cadastros e a lentidão no processo de validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) geram instabilidade jurídica, dificultando a atração de investimentos sustentáveis. Ele destaca que é essencial avançar na regularização ambiental e fundiária para reduzir riscos e ampliar a segurança jurídica, além de aproveitar as oportunidades associadas ao mercado de CRA e à bioindústria, que têm potencial para diversificar a economia e valorizar os ativos ambientais.
Fonte: Portal Amazônia