Indiciamentos de Lulinha e Flávio Bolsonaro na CPMI do INSS podem impactar eleições
A CPMI do INSS, encerrada em março, trouxe indiciamentos que podem ser utilizados nas campanhas eleitorais. Especialistas acreditam que o tema é politicamente sensível.

Em Brasília, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi encerrada em março, mas não gerou efeitos práticos, uma vez que o relatório final do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) foi rejeitado pela maioria. O documento dos governistas, por sua vez, não chegou a ser votado, mas o tema ainda promete render discussões nas campanhas eleitorais.
O cientista político André César, associado à Hold Assessoria Legislativa, destaca que o assunto será amplamente explorado nas eleições. Ele menciona que o montante desviado é uma questão grave e que, apesar da rejeição dos relatórios, os partidos em disputa utilizarão essa temática politicamente sensível para fortalecer suas estratégias eleitorais.
César também menciona que, em anos anteriores, comissões semelhantes tiveram grande impacto político, citando a CPI do Mensalão, que ganhou notoriedade em 2005. O foco da CPMI do INSS foi investigar fraudes em descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas, com um esquema que gerou um prejuízo de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
A CPMI foi instaurada em agosto de 2025 e, apesar da rejeição dos relatórios, a sua continuidade serve para reforçar a influência do Congresso Nacional, que enfrenta embates com a Suprema Corte. Para a advogada Vera Chemim, especialista em direito constitucional, essa escolha de não encerrar o assunto é estratégica no atual cenário político.
O parecer do deputado Gaspar sugere o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e inclui mais 215 nomes. O presidente da CPMI, Carlos Viana (PSD-MG), enviou o documento aos ministros Luiz Fux e André Mendonça. O relatório alternativo, que abrange o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, pede o indiciamento de 130 pessoas e o aprofundamento de investigações sobre 201 nomes, tendo sido entregue à Polícia Federal e ao STF.
Fonte: D24AM