Indígena Nube Oma Kulina é encontrado após mais de três meses desaparecido
O jovem indígena Nube Oma Kulina, 24 anos, foi localizado em Manaus após ser solto sem aviso à família e à Funai. Ele havia vivido em situação de rua na capital.

Manaus viu a história de Nube Oma Kulina, um indígena de 24 anos e da etnia madiha kulina, ganhar destaque após ele ser encontrado após mais de três meses desaparecido. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, o jovem estava vivendo em situação de rua na capital amazonense, depois de ter sido solto de um presídio sem que sua família ou a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) fossem informadas.
Nube foi localizado no dia 1º de setembro e, em 7 de setembro, foi conduzido pela Funai de volta à sua região de origem, no médio rio Juruá, localizada no interior do Amazonas. A confirmação dessa informação veio da Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) e da Organização dos Povos Indígenas da Calha do Juruá (Opiju), que acompanharam o desenrolar do caso.
Segundo relatos, Nube não fala português e vive em uma comunidade que mantém costumes e formas de organização próprias. A diferença cultural e a distância entre sua aldeia e a vida urbana tornaram ainda mais desafiadora a sua permanência em Manaus, especialmente sem a presença de familiares ou pessoas que pudessem auxiliá-lo.
O caso de Nube foi inicialmente revelado em uma reportagem da Folha de S.Paulo em 28 de agosto. Ele estava preso preventivamente desde julho de 2025, acusado de tentativa de feminicídio. Após uma determinação da Justiça em outubro do mesmo ano, ele foi transferido para uma unidade prisional em Manaus devido a preocupações com a segurança na delegacia de Envira, sua cidade natal.
Após sua soltura em 28 de maio deste ano, Nube deixou o presídio e, com a ajuda de um desconhecido, pegou um ônibus que o levou ao centro de Manaus. Por alguns dias, ele subsistiu nas ruas, até ser acolhido em uma casa nas proximidades. A identificação de Nube como um indígena desaparecido ocorreu quando moradores reconheceram sua imagem em uma reportagem. A Defensoria Pública teve que recorrer a um tradutor da língua madiha para comunicar-se com ele e entender os eventos que ocorreram após sua saída do presídio.
Fonte: D24AM