Indígenas do Rio Negro compartilham calendários astronômicos no RJ
Agentes Indígenas de Manejo Ambiental do Amazonas apresentaram suas observações astronômicas e suas implicações para o manejo ambiental durante evento no Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro, entre os dias 14 e 20 de setembro, durante a XIII Escola Interamericana de Astronomia Cultural e a XII Jornada Interamericana de Astronomia na Cultura, Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs) dos povos Tukano, Desana e Baniwa compartilharam suas práticas de observação das constelações e como essas influenciam o manejo ambiental de suas comunidades.
O painel foi conduzido por Ismael dos Santos, do povo Desana; Lucas Bastos, do povo Tukano; Walter Lopes, do povo Baniwa; Roberto Tomé, também do povo Baniwa; e o antropólogo Aloisio Cabalzar. Essas práticas se baseiam na observação dos ciclos naturais e na escrita de diários que registram os fenômenos observados no Alto Rio Negro, em meio à floresta amazônica.
Walter Lopes, do povo Baniwa, destacou a importância das constelações em seu calendário. “A gente observa a constelação, desenha essas estrelas e, a partir delas, notamos as mudanças no ambiente, como a migração de peixes e aves, além dos ciclos das plantas”, explicou. Na região, os indígenas Baniwa e Koripako identificam 19 constelações, focando em 12 para organizar seu calendário astronômico e anotar os ciclos ambientais.
Aloisio Cabalzar enfatizou que o trabalho dos AIMAs visa não apenas o monitoramento ambiental, mas também o fortalecimento dos direitos territoriais e a promoção de saberes entre gerações. “A metodologia envolve a escrita de diários e reuniões semestrais para organizar dados sobre os ciclos observados”, afirmou. Durante o evento, foram discutidas diversas perspectivas sobre a observação do céu, incluindo as de outros povos indígenas e comunidades ribeirinhas.
Melissa Santana de Oliveira, especialista em Indigenismo da Funai, defendeu que os calendários astronômicos ecológicos devem ser reconhecidos como ferramentas de gestão territorial. Os AIMAs ressaltaram a relevância dessas práticas, pois a observação das constelações orienta atividades agrícolas, pesca e manejo de recursos naturais. “A leitura do céu é essencial para o manejo ambiental e territorial”, concluiu. A troca de experiências entre os povos apresentou um panorama rico e diversificado sobre a relação entre cultura, meio ambiente e astronomia.
Fonte: Portal Amazônia