Instituto da USP em Piracicaba Revoluciona Estudos sobre Rios Voadores
Pesquisadores do CENA, USP, em Piracicaba, desvendam a influência das chuvas na Amazônia, impactando o meio ambiente globalmente desde os anos 70.

Um grupo de pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), da USP, localizado em Piracicaba, deu início a importantes estudos sobre os rios voadores que influenciam a Floresta Amazônica. Embora a distância de quase quatro mil quilômetros separe o instituto da Amazônia, suas pesquisas, iniciadas na década de 1970, ajudaram a compreender melhor o ecossistema dessa região ainda pouco explorada.
No início dos anos 70, a Amazônia vivia um período de intensa transformação socioambiental, impulsionada pelos planos de desenvolvimento da ditadura militar, que a viam como uma área isolada e subdesenvolvida. O aumento da ocupação do território, a construção de estradas e a exploração de recursos naturais aceleraram o desmatamento. Nesse cenário, o pesquisador Enéas Salati, líder das investigações no CENA, levantou a hipótese de que a transpiração da floresta poderia ser responsável por uma parte significativa das chuvas na região.
As pesquisas do CENA, financiadas pelo governo federal e por instituições internacionais, revelaram que a ausência da floresta resultaria em uma diminuição das chuvas, impactando tanto a Amazônia quanto as áreas agrícolas do Sul e Sudeste do Brasil. Inicialmente alinhado à agenda desenvolvimentista do governo militar, Salati se tornou um crítico das políticas que promoviam o desmatamento, ganhando destaque no movimento ambientalista internacional, embora suas ideias não tenham sido ouvidas em esferas governamentais.
Em 1979, Salati e sua equipe publicaram um artigo na revista Water Research Resource, no qual abordaram a reciclagem da água na Bacia Amazônica, em colaboração com outros especialistas. O técnico de nível superior do CENA, José Aurélio Bonassi, que participou das coletas de amostras de água na Amazônia, recorda com nostalgia das expedições realizadas para estudar a dinâmica dos rios voadores.
Os estudos do CENA, que utilizam técnicas de hidrologia isotópica, se tornaram referência mundial e possibilitaram a formação de uma rede internacional de colaboração científica. Salati, reconhecido como um dos pioneiros no campo, não apenas compartilhou suas descobertas com a comunidade científica, mas também buscou conscientizar o público sobre a importância da preservação ambiental, publicando artigos em veículos de comunicação de grande alcance.
Fonte: Portal Amazônia