Irregularidades no Núcleo Prisional da PM: Celulares e Ar-Condicionado Encontrados
O Ministério Público do Amazonas revelou irregularidades no antigo Núcleo Prisional da PM, incluindo acesso a celulares e ar-condicionado. A transferência dos presos para nova unidade gera protestos.

Manaus - O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) divulgou nesta terça-feira, 12 de setembro, os resultados da Operação Sentinela Maior, que revelaram uma série de irregularidades no antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas. Localizado no bairro Monte das Oliveiras, na zona norte de Manaus, o espaço apresentava condições inaceitáveis para a custódia de presos.
Durante a coletiva de imprensa, foram apresentados vídeos que demonstram que os policiais militares detidos tinham acesso a itens proibidos, como celulares, carregadores, televisores, micro-ondas, geladeiras, freezers e até aparelhos de ar-condicionado. Os objetos encontrados transformavam as celas em verdadeiras “mini casas” improvisadas, desafiando a segurança do local.
O promotor de Justiça Armando Gurgel Maia, que conduziu a coletiva, destacou que entre os detidos estavam indivíduos acusados de crimes graves, como homicídio, crimes sexuais, roubo e sequestro. Ele explicou que a transferência de 71 presos para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Estado do Amazonas (UPPM/AM) foi uma medida necessária, resultante de fiscalizações que identificaram falhas estruturais e sucessivas irregularidades no antigo núcleo prisional.
Gurgel Maia afirmou que a situação no antigo núcleo era alarmante, com superlotação, mofo, infiltrações e falta de ventilação adequada. “Aquele prédio jamais foi pensado para custódia de pessoas”, declarou o promotor, mencionando que a transferência foi motivada também pelo episódio de fevereiro, quando 23 policiais militares deixaram a unidade, gerando repercussão negativa na sociedade.
A transferência dos custodiados, que começou durante a madrugada e durou cerca de seis horas, foi marcada por protestos de familiares que tentaram impedir a saída dos ônibus utilizados na operação. O advogado Henrique Vasconcelos, que representa alguns presos, contestou a versão sobre a fuga e defendeu que os policiais foram retirados para depoimentos. O presidente da Associação de Praças dos Policiais e Bombeiros Militares do Amazonas, Gutemberg Silva, reconheceu os problemas na estrutura antiga, mas criticou a nova transferência. A nova unidade, segundo o MPAM, terá estrutura adequada e capacidade para 72 presos, com controle prisional mais rigoroso.
Fonte: D24AM