Juventude Ribeirinha se Mobiliza para Preservar Floresta e Tradições
A jovem Mariazinha Oliveira destaca a luta da juventude ribeirinha entre saberes tradicionais e a influência da internet, promovendo iniciativas sociais e ambientais.

Um dos principais tópicos discutidos pela juventude ribeirinha é a interação entre os saberes tradicionais e a crescente presença da internet nas comunidades. Maria Oliveira, conhecida como Mariazinha, de 18 anos, enfatiza que a preservação da floresta e das tradições não é uma responsabilidade exclusiva dos moradores locais. "Lutar por um mundo, um país e um lar estáveis não é só para as comunidades tradicionais. Abraça essa causa com a gente!"
Mariazinha deixou sua comunidade natal, localizada às margens do rio Juruá, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari, quando tinha apenas 10 anos. Desde então, passou a viver em São Raimundo, na Reserva Extrativista do Médio Juruá, onde se integrou ao coletivo JLPC (Juventude em Luta Pela Caminhada). "A partir daí, eu não parei mais, né? Foi ação em cima de ação", recorda a jovem, que se tornou uma referência na mobilização social de sua comunidade.
Com mais de 20 anos de atuação, o JLPC busca engajar os jovens na vida comunitária, abordando questões relevantes para a população tradicional. Mariazinha destaca quatro frentes principais do coletivo: fortalecimento do senso comunitário, espiritualidade, cultura e economia sustentável. Um dos desafios atuais é o afastamento da juventude em relação às práticas tradicionais, que são vitais para a identidade local, em favor de soluções oferecidas pela internet.
Para combater esse distanciamento, o JLPC promove “mutirões solidários”, onde os jovens se unem para apoiar aqueles que não conseguem realizar suas tarefas. "A gente junta todo mundo e todo mundo trabalha para uma pessoa que não consegue exercer aquele trabalho", explica Maria, ressaltando a importância do senso comunitário. Além disso, o coletivo também criou o ODJ (Ofício Divino da Juventude), que leva a espiritualidade até as casas das famílias que não podem ir à igreja.
Nos últimos três anos, o coletivo implementou um projeto de “chocadeira ecológica” para proteger a população de quelônios, afetada por mudanças climáticas e predação. Mariazinha também mencionou o monitoramento da extração de látex das seringueiras, que não só preserva as árvores, mas também gera benefícios financeiros. A jovem sonha em levar os conhecimentos tradicionais desenvolvidos no Médio Juruá a outras comunidades, formando uma “caravana social”. "Esse sonho não é meu, não é do coletivo, mas é de toda a juventude do Médio Juruá", conclui.
Fonte: Portal Amazônia