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Lançamento de livro resgata luta indígena durante a ditadura e atualiza violências

Obra de Tiago F. dos Santos, lançada na PUC Minas, retrata a trajetória de Egydio Schwade e as lutas indígenas, abordando violências passadas e atuais.

Ana Beatriz Souza2 min de leituraEgydio Schwade, indigenismo, luta indígena
Lançamento de livro resgata luta indígena durante a ditadura e atualiza violências
Foto: Foto: Guilherme Cavalli/Cimi

No último dia 28 de outubro, a PUC Minas, localizada em Belo Horizonte, foi palco do lançamento do livro "Da causa perdida ao indigenismo encarnado: a trajetória de Egydio Schwade nos anos de chumbo (1972–1980)", escrito pelo historiador Tiago F. dos Santos. O evento contou com a presença de diversas lideranças indígenas, religiosos, pesquisadores e estudantes, além do próprio Egydio Schwade, cofundador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

A cerimônia de abertura foi marcada por uma fala do jesuíta Leonardo Rodrigues, que destacou o compromisso da Companhia de Jesus com uma Igreja voltada aos povos marginalizados, uma escolha que, segundo ele, teve um alto custo. Rodrigues contextualizou a obra de Tiago dentro do cenário da ditadura, que censurou artistas e jornalistas, forçando aqueles que almejavam a democracia a manter suas esperanças na clandestinidade.

O livro também se propõe a romper com narrativas colonizadoras, enfatizando a necessidade de entender os povos indígenas como sujeitos históricos, a partir de suas próprias vivências. Ubirajara Pataxó, uma das lideranças presentes, compartilhou a história de seu povo, que enfrentou violências severas, incluindo a contratação de pistoleiros para matar indígenas. Ele criticou a tendência de associar a questão indígena unicamente aos povos do Norte, subestimando a luta de grupos como os Pataxó, que também enfrentaram desafios imensos.

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Egydio Schwade relembrou seu início no indigenismo, quando a abordagem predominante era a assimilação dos indígenas. Ele e seus colegas perceberam a necessidade de um novo modelo, que incluísse a voz dos indígenas e valorizasse sua diversidade cultural. Inspirado pelo Concílio Vaticano II, Schwade afirmou que a missão deveria ser sobre coletar a sabedoria presente nas comunidades mais vulneráveis, visando uma melhoria da sociedade como um todo.

O autor Tiago F. dos Santos ressaltou que o lançamento do livro é uma parte importante do processo de reconstrução da memória e busca por justiça em relação às violências enfrentadas durante a ditadura militar, além de estar conectado aos desafios atuais que os povos indígenas enfrentam. Ele observou que a luta por reparação e reconhecimento das violações ainda é uma questão urgente, que precisa ser abordada não apenas como parte do passado, mas como um desafio contemporâneo.

Fonte: Portal Amazônia

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