Lideranças do Rio Negro discutem combate ao alcoolismo e violência em Brasília
Durante o Acampamento Terra Livre, lideranças indígenas do Rio Negro se reuniram em Brasília para debater o combate ao alcoolismo e suas consequências nas comunidades.

Na semana da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), lideranças indígenas do Rio Negro organizaram uma agenda interministerial em Brasília. O foco das discussões foi o preocupante aumento do uso prejudicial de bebidas alcoólicas e seus efeitos nas comunidades indígenas e urbanas.
A mobilização foi realizada pelo Departamento de Mulheres Indígenas (Dmirn) e pelo Departamento de Adolescentes e Jovens (Dajirn) da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), em colaboração com o Instituto Socioambiental (ISA). Os encontros contaram com a participação do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Ministério da Justiça, com a intenção de articular estratégias de enfrentamento a essa problemática.
Durante a reunião com o Ministério da Saúde na última segunda-feira, 6 de novembro, as lideranças apresentaram um documento com recomendações para a prevenção e fortalecimento das políticas públicas na região. O material evidenciou que o uso de álcool tem crescido substancialmente nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos, afetando tanto as comunidades indígenas quanto áreas urbanas.
Os impactos desse cenário são alarmantes, com aumento de casos de violência interpessoal e doméstica, incluindo homicídios e feminicídios, além de rompimentos familiares e problemas de saúde mental. O juiz Manoel Átila Araripe Autran Nunes, da Comarca de São Gabriel da Cachoeira, destacou que cerca de 90% das ocorrências criminais estão relacionadas ao consumo de álcool, ressaltando a gravidade da situação para crianças e adolescentes.
A agenda em Brasília culminou com uma reunião no Ministério da Justiça, onde foram discutidas ações para proteger as comunidades indígenas e combater a venda de álcool para menores. As lideranças enfatizaram que não buscam a proibição do consumo, mas sim a ampliação de informações que promovam um debate qualificado sobre o uso do álcool. A expectativa é que as discussões levem à implementação de um plano de trabalho focado na prevenção e no enfrentamento do alcoolismo nas comunidades, com ações previstas para junho.
Fonte original
Portal AmazôniaEste artigo foi reescrito com base na matéria original publicada em Portal Amazônia. Acesse o link acima para ler o texto completo na fonte.