Ligue 180 registra 1,5 mil denúncias de violência política contra mulheres
Entre janeiro e agosto de 2026, o Ligue 180 recebeu 1.564 denúncias de violência política contra mulheres, destacando a misoginia e o desestímulo à participação feminina na política.

Brasília - As mulheres têm o direito de participar da política sem sofrer qualquer forma de violência ou discriminação. Entre janeiro e agosto de 2026, a Central de Atendimento à Mulher, conhecida como Ligue 180, registrou um total alarmante de 1.564 denúncias de violência política contra mulheres, refletindo um problema estrutural na sociedade.
Essas denúncias resultaram em 1.581 violações consideradas como violência política, o que ocorre devido ao fato de que uma única denúncia pode abranger diferentes tipos de agressões. A secretária Nacional de Articulação Intersetorial e Interfederativa e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, relaciona essa violência a um fenômeno mais amplo, que inclui a misoginia, a violência doméstica e o feminicídio.
Segundo Sandra, a violência política é parte de uma estratégia mais ampla de movimentos de extrema-direita que tentam deslegitimar os direitos das mulheres, como o voto, conquistado no Brasil em 1932. Ela afirmou: “É assustador porque as violências políticas são, no fundo, questões estruturais”, que vão desde ameaças à vida até formas sutis de desestímulo à participação feminina na política.
As mulheres negras e pardas são as que mais sofrem com essa violência. Das 1.564 denúncias, mais de 53% (842) foram feitas por mulheres negras e pardas, enquanto 37,72% (590) foram de mulheres brancas. As estatísticas mostram que os estados com mais registros de violência política foram São Paulo (430), Rio de Janeiro (260) e Minas Gerais (149).
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considera a violência política de gênero um dos principais obstáculos para a participação das mulheres na política. Em 2026, o número de processos relacionados a esse tipo de violência saltou para 177, um aumento significativo em comparação aos 15 casos registrados em 2022. O Ministério das Mulheres está implementando um protocolo que visa fortalecer a proteção dos direitos políticos femininos e responsabilizar os autores de violências, garantindo suporte às vítimas.
Fonte: D24AM