Mamirauá, referência em conservação, celebra 30 anos de sustentabilidade
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá completa 30 anos, destacando-se como pioneira em conservação integrada na Amazônia.

Manaus celebra os 30 anos da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a primeira unidade desse tipo no Brasil. Com uma extensão superior a um milhão de hectares de florestas alagáveis, a reserva protege um dos mais importantes ecossistemas de várzea do mundo.
Reconhecida como parte do Complexo de Conservação da Amazônia Central, Mamirauá é considerada Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO e também está na lista de Áreas Úmidas de Importância Internacional da Convenção de Ramsar. O local abriga espécies emblemáticas da fauna amazônica, além de comunidades ribeirinhas que têm contribuído para um modelo de conservação inovador.
Esse modelo, que começou a ser desenvolvido na década de 1980, prova que é possível harmonizar a proteção da biodiversidade com a permanência das populações tradicionais em seus territórios e o uso sustentável dos recursos naturais. Entre os idealizadores dessa transformação está o biólogo José Márcio Ayres (1954–2003), cuja visão para a conservação foi fundamental para a criação da Reserva.
João Valsecchi do Amaral, Diretor Geral do Instituto Mamirauá, destaca que a criação de áreas protegidas nem sempre foi sinônimo de proteção para as comunidades locais. Ele afirma que Mamirauá reverteu essa lógica, reconhecendo os moradores como protagonistas na conservação e garantindo sua permanência no território.
Trinta anos após sua fundação, a Reserva Mamirauá continua a ser um exemplo de como a pesquisa científica pode guiar o uso dos recursos naturais. Valsecchi ressalta que o desafio agora é fortalecer esse modelo frente aos novos cenários climáticos e sociais que a Amazônia enfrenta, mantendo o compromisso com a pesquisa e a permanência das comunidades.
Fonte: D24AM