Manaus pode enfrentar escassez de água crítica até 2040, diz estudo
Um estudo do Trata Brasil alerta que Manaus pode ter sérios problemas de abastecimento de água até 2040, devido ao uso excessivo de poços e mudanças climáticas.

Um estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, revelou que Manaus, mesmo situada na região amazônica e próxima à maior bacia hidrográfica do mundo, pode enfrentar sérios riscos de escassez de água até 2040. A pesquisa, intitulada “O desafio da segurança hídrica na região de Manaus e políticas de sustentabilidade”, foi apresentada em um seminário na Fundação Getulio Vargas (FGV) em São Paulo no dia 3 de setembro.
O estudo destaca que os impactos das mudanças climáticas e a exploração indiscriminada de poços subterrâneos estão entre os principais fatores que podem levar a capital do Amazonas a níveis críticos de abastecimento de água. Atualmente, existem mais de 27 mil poços em operação na cidade, mas apenas 5 mil deles estão registrados nos órgãos de controle.
A pesquisa sugere que a diversificação da matriz hídrica é essencial para mitigar os efeitos da estiagem e do elevado consumo de águas subterrâneas. Nesse cenário, a adesão ao sistema público de abastecimento se mostra uma alternativa viável, especialmente para a indústria, que ainda depende de água de captação subterrânea para suas operações.
Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, enfatizou a importância do planejamento para a construção da segurança hídrica. “A cidade depende fortemente do Rio Negro e também recorre a poços que muitas vezes operam sem controle adequado. Investir em reúso e no uso racional da água é crucial para reduzir os riscos”, afirmou.
Pedro Freitas, diretor-presidente da Água de Manaus, ressaltou que a região está em um momento decisivo para evitar desabastecimentos. Ele reforçou que a mobilização de diferentes setores é vital e que a adesão da indústria ao sistema público de abastecimento pode trazer benefícios significativos, promovendo um uso mais sustentável dos recursos hídricos e ampliando o acesso à água de qualidade para a população.
Fonte: Portal Amazônia