Manejo do pirarucu promove protagonismo indígena e proteção no AM
O manejo sustentável do pirarucu na aldeia Boca do Jurupari, Amazonas, integra conservação ambiental e geração de renda, fortalecendo a comunidade indígena Kokama.

No território indígena Boca do Jurupari, localizado na região do Médio Solimões, no Amazonas, o manejo sustentável do pirarucu se destaca como uma prática que une conservação ambiental, organização comunitária e geração de renda. Com a orientação técnica do Instituto Mamirauá, os indígenas estão estruturando todas as etapas do manejo, desde o planejamento e vigilância dos lagos até a pesca e comercialização da safra.
A atividade de manejo do pirarucu envolve diretamente 48 indígenas, incluindo homens e mulheres, que participam ativamente em diferentes fases do processo. As ações são realizadas principalmente no Lago Jurupari Grande, onde os membros da comunidade se reúnem para planejar estratégias de pesca, além de fortalecer a vigilância e proteção do território. Ao todo, 60 lagos estão protegidos e fazem parte do Acordo de Pesca na área.
Raimundo Nonato da Silva Reis, indígena do povo Kokama e presidente da Associação dos Manejadores e Manejadoras do Acordo de Pesca de Jurupari Grande, ressalta que o manejo do pirarucu se transformou em uma realidade coletiva. Ele observa que a recuperação dos estoques de pirarucu está intimamente ligada à proteção constante dos ambientes aquáticos e à organização da comunidade. “Há dez anos, a gente passava uma, duas semanas para tirar dez pirarucus. Hoje, numa semana, tiramos a nossa cota de 260, 300 peixes”, afirma ele, destacando a diferença significativa na captura.
A organização comunitária também tem ampliado as oportunidades de comercialização do pirarucu manejado. Em 2025, a participação na 21ª Feira do Pirarucu de Manejo Sustentável gerou um faturamento de R$ 180 mil, que foi destinado à compra de materiais e reforma de um barco, além de manutenção de flutuantes que servem como base para a comunidade. A venda direta do pescado aproxima os produtores dos consumidores, oferecendo uma melhor remuneração em comparação à comercialização através de atravessadores.
A iniciativa de manejo sustentável do pirarucu ocorre em um contexto de valorização da identidade indígena na região do Médio Solimões. Ana Cláudia Torres, coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, destaca que o autorreconhecimento das comunidades e o resgate de práticas culturais andam lado a lado com as ações de conservação. Lindomar da Silva Reis, primeiro cacique da aldeia Jurupari, expressa seu orgulho ao ver a comunidade indígena liderando uma atividade que combina trabalho, conservação e participação na economia local. “A gente é capaz de fazer parte dessa economia”, conclui ele, reforçando a importância do manejo sustentável como um modelo de sucesso.
Fonte: D24AM