Mário Bentes apresenta seu primeiro livro de horror rural na Bienal de SP 2026
O autor amazonense Mário Bentes lança 'Algo estava matando os cavalos', uma releitura antirracista de uma lenda sulista, na Bienal do Livro de São Paulo em 5 de setembro.

O jornalista e escritor amazonense Mário Bentes está prestes a lançar seu primeiro romance de horror rural intitulado Algo estava matando os cavalos, que será apresentado na Bienal do Livro de São Paulo no dia 5 de setembro de 2026. Esta obra, que mistura elementos de fantasia sombria e realismo mágico, é inspirada na lenda do negrinho do pastoreio, uma história tradicional do sul do Brasil.
Segundo Bentes, o impulso para escrever este livro surgiu de uma inquietação que o acompanhou desde a infância. O autor descreve a obra como uma releitura antirracista de uma lenda que, em sua visão, possui um forte caráter trágico e violento. Ele relembra como, na sua infância, se questionava sobre a dor e a injustiça que a criança da lenda enfrentava, sem compreender totalmente o contexto histórico que a cercava.
Em suas palavras, Bentes menciona: “Eu vi essa lenda na infância e achava ela triste e pesada. Uma criança negra era violentada fisicamente e psicologicamente, e eu me perguntava onde estavam os pais dela.” Com o tempo, o autor percebeu que essa lenda carrega significados muito mais amplos, refletindo a brutalidade de períodos sombrios da história brasileira.
A narrativa de Algo estava matando os cavalos se passa na Fazenda do Ventre Seco, em 1874, onde uma série de eventos inexplicáveis envolvendo a morte de cavalos e a presença de entidades sobrenaturais se desenrola. A história acompanha uma maldição familiar que se estende por mais de 200 anos, ligada à decadência da família Alvarenga, que possui raízes profundas na colonização e nas estruturas de poder herdadas da Coroa.
Bentes ressalta a importância de explorar mitologias e conhecimentos ancestrais na literatura amazônida, incentivando outros autores a fazerem o mesmo. Ele afirma que, ao abordar temas como violência histórica e racismo, é crucial manter uma conexão com a verdade histórica, mesmo dentro do contexto da ficção. O autor conclui que o lançamento na Bienal é uma oportunidade de dar visibilidade à literatura regional e de instigar reflexões sobre temas importantes na sociedade.
Fonte: Portal Amazônia